Foto: Salmo Duarte / A Notícia

[dropcap]A[/dropcap] ida ao segundo turno da eleição presidencial de Fernando Haddad (PT) contra Jair Bolsonaro (PSL) reforçou uma disputa em torno do petismo e antipetismo neste ano. Neste cenário, um dos maiores derrotados foi o PSDB, que até então ocupava o espaço de contraponto marcante ao PT, com reflexos no país e também em Santa Catarina.

Na esteira da busca por mudanças, outras legendas tradicionais, como a maior delas, o MDB – 2,3 mil filiados, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) –, também tiveram perdas, e agora entram no momento de curar as feridas e vislumbrar as eleições municipais de 2020.

Os números não deixam dúvida do derretimento do PSDB. Na Câmara dos Deputados, a bancada caiu de 49 eleitos para 29 em 2018 – incluindo a queda de dois para um deputado federal catarinense da sigla.

No Estado, o senador tucano Paulo Bauer não conseguiu a reeleição e a chapa ao governo que tinha Napoleão Bernardes (PSDB) como vice não chegou ao segundo turno.

Na Assembleia Legislativa (Alesc), a quantidade de deputados estaduais reduziu pela metade, de quatro para dois representantes.

 

Início do trabalho para as eleições municipais

Presidente da legenda em SC, o deputado estadual Marcos Vieira, que conseguiu a reeleição, admite que há uma autocrítica forte, com reuniões aqui e em Brasília. A constatação é que o efeito Bolsonaro causou estrago em diversos partidos, e o PSDB não fugiu à regra.

— Agora vamos reconstruir. É a mesma coisa que a velha ressaca. Destruiu, agora vamos sentar e consertar. Vamos trabalhar muito e começar a pensar na eleição municipal — resume a liderança tucana.

Vieira diz que Geraldo Alckmin (PSDB) era o mais preparado, mas considera que ele era “a pessoa certa na hora errada”, sem que a assessoria da campanha tenha dado condição a ele para ter uma posição mais incisiva contra o PT.

— O PSDB sempre foi contra o PT. Bolsonaro, no meu entendimento, conseguiu captar a mensagem da população que era contra o PT. O PSDB, seu comando nacional, não conseguiu captar e deu no que deu. Bolsonaro falou a voz das ruas, o PSDB falou a voz do livro clássico, aí deu no que deu. O PSDB fez a leitura do livro clássico, Bolsonaro, a do gibi — reconhece.

Tanto Bauer quanto Napoleão não retornaram os contatos da reportagem.

Reflexo da repulsa ao sistema, avalia Mariani

Além do PSDB, o MDB foi outro partido  que sofreu baixa na representatividade. Neste caso, o abalo no Legislativo foi maior no plano nacional, com a redução da atual bancada na Câmara de 51 para 34 deputados.

Em Santa Catarina, embora a chapa encabeçada por Mauro Mariani (MDB) não tenha ido ao segundo turno na disputa pelo governo, a sigla fez nove deputados estaduais (contra 10 da legislatura atual) e três federais (contra os cinco atuais).

No Senado, segue com Dário Berger, eleito em 2014, e não lançou candidato próprio neste ano, apoiando o eleito Jorginho Mello (PR).

— Havia e há certa repulsa da população com o sistema político tradicional. Os partidos que pagaram essa conta foram os mais tradicionais. Nós aqui não sofremos tanto porque o MDB de SC tem mais raiz, é um partido mais ideológico, diferente do MDB nacional. Você vê que nacionalmente o partido foi praticamente arrasado e nós tivemos um desempenho não maravilhoso, mas acima da média, dentro daquilo que representa o MDB estadual — avalia Mariani.

Movimento nacional, avalia emedebista

Presidente de honra do MDB catarinense, o ex-senador Casildo Maldaner analisa que, nacionalmente, a legenda sofreu com a onda Bolsonaro e também pagou o preço pelo desgaste de Michel Temer e das ações dele na presidência.

— O MDB nacional fugiu das linhas que Ulysses Guimarães, nos bons tempos, tinha traçado, com Pedro Simon, com o próprio Luiz Henrique da Silveira. A direção nacional ficou muito fisiológica. O Temer não teve braço para fazer as mudanças quando assumiu o governo, para se livrar daquele círculo de pessoas que o aconselhava — destaca.

Na análise dos espaços na Câmara dos Deputados, além do PSDB e do MDB, partidos como PP, PT e DEM também perderam representatividade com a votação de 7 de outubro (veja ao lado) e terão menos voz e força no Legislativo a partir do ano que vem.

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Foto: Artes DC / Artes DC