Os incêndios em vegetação na Serra Catarinense vêm dando muito trabalho para o Corpo de Bombeiros. Só este ano, foram registradas 108 ocorrências do gênero nas regiões de Lages e São Joaquim. A cidade de Lages desponta como a mais afetada, com 49 casos no ano, seguida por São Joaquim, 16 e Urubici, 12.

Conforme o capitão Varela e o tenente Roberto, ambos do batalhão de Lages, o principal motivo dos incêndios é a ação humana. “É comum a queimada ser utilizada com objetivo de limpar terrenos. O que acontece é que os responsáveis acabam perdendo o controle da ação, gerando risco para as pessoas, residências e animais”, comentam.

Os oficiais explicam que, além da ação dos responsáveis pela limpeza dos terrenos, o acesso de terceiros a áreas de reflorestamento próximas ao perímetro urbano, também favorecem a ocorrência de incêndio.

A queima de campo na região serrana tem um aspecto cultural. Há um entendimento empírico de que esta prática é uma forma de deixar o solo fértil. “A queimada em área rural é historicamente utilizada para abrir áreas destinadas a agricultura”, acrescentam os militares.

A queimada sem licença ambiental é considerada crime ambiental, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais (9605/98), com pena de até cinco anos de cadeia, além de multa. Para realizá-la de maneira legal, o proprietário do terreno precisa de autorização de órgãos responsáveis.

Dificuldades

Além de darem muito trabalho ao Corpo de Bombeiros, as queimadas ilegais em vegetação também impactam bastante as atividades dos socorristas. Importante ressaltar que, assim como outros órgãos de segurança pública de Santa Catarina, os bombeiros também sofrem com a falta de efetivo. Atualmente, o estado tem menos de 3 mil bombeiros militares em atividade, quando o ideal seria em torno de 4 mil.

Segundo o capitão Varela, as chamadas de incêndio em vegetação interferem sobremaneira na rotina diária de serviço do Corpo de Bombeiros, porque exigem o deslocamento de efetivo de serviço que também é responsável pelos atendimentos emergenciais diários.

Diante disso, explica o oficial, os militares estão orientados a coletar as informações desse tipo de ocorrência para repassar aos órgãos ambientais competentes, para averiguação de supostas ilegalidade ou crime ambiental.

Fonte: CL Mais