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Nesta nova festa, os visitantes terão a oportunidade de consumirem uma fruta-semente mais graúda e muito saborosa. Em todos os boxes, seja na Festa, no Parque Conta Dinheiro, ou no Recanto do Pinhão, no calçadão da praça João Costa de Lages, o pinhão estará à venda. Desde o pinhão cozido, preparado em forma de paçoca ou no entrevero, misturado com carne picada e legumes.

A região da Serra Catarinense é a maior produtora de pinhão do Estado de Santa Catarina. Já o município de Painel, limítrofe à Lages, é o de maior produção e produtividade da fruta-semente da araucária.

Segundo previsão do extensionista da Epagri, com atuação neste município, César Oliveira de Arruda, a colheita 2022 deverá alcançar até 1,5 mil toneladas, ou seja, 40% a mais do total colhido em 2021.

Já em nível de Santa Catarina, estima-se, nesta safra, uma colheita de 6 mil toneladas, com percentual de 25% superior à safra anterior. “A colheita varia a cada safra, influenciada pelo clima. Por exemplo, a região de Capão Alto terá uma queda significativa, na produção, por conta da ocorrência de “ciclone bomba” que afetou muito o desenvolvimento do pinhão”, fala o extensionista da Epagri.

César Oliveira de Arruda explica que o pinhão leva de dois a dois anos e meio para se desenvolver e amadurecer. E nesse tempo, fenômenos climáticos tais como vendavais ou prolongadas estiagens podem interferir produção da fruta-semente. E foi o que acabou ocorrendo com a incidência do ciclone que varreu grande parte do município de Capão Alto, há cerca de dois anos, havendo queda de galhos de milhares de araucárias.

Ciclone desgalha pinheiros

Um fato marcante, deste episódio, foi o relatado pelo agropecuarista Sérgio Batalha, de Capão Alto: “Temos em nossa propriedade rural uma araucária centenária que produzia em média 550 pinhas a cada nova safra. E agora ela produzirá menos da metade, pois foi atingida pelos fortes ventos, tendo muitos galhos quebrados”, conta Sérgio.

O produtor rural disse que sua propriedade está situada em área de chapada, que ocupa as partes mais altas da campanha, sendo portanto atingida em cheio pelas ventanias.

A colheita do pinhão é considerada uma atividade da agricultura familiar e é artesanal, ocupando, geralmente, as pessoas mais jovens. O pinheiro (araucária angustifólia) tem de ser escalado, sendo, portanto, uma atividade de risco. Só os mais jovens conseguem subir nas árvores de grande porte.

De outra maneira, o pinhão tem de ser catado em baixo dos pinheiros, em meio às grimpas, sendo portanto uma colheita demorada e em poucas quantidades. Assim, a demanda de consumo tende a ser maior do que a capacidade de colheita por parte das famílias agricultoras.

Assim, no início da colheita, o preço do pinhão é mais elevado, estabilizando-se no decorrer do período de safra. Atualmente, o produtor rural vende, em média, a R$ 4,50 o quilo da fruta-semente. Porém, nos mercados, o preço da revenda oscila. Em abril chegou a ser vendido, no varejo, a até 16 reais o quilo. Agora, encontra-se pinhão até a menos de R$6,00 o quilo.

Sapecada de Pinhão

João Batista Lima (Cabeça) será o responsável pelo abastecimento de pinhão no camarim do Palco Nativista da 32ª Festa Nacional do Pinhão, espaço onde serão realizadas as Sapecadas da Canção e dezenas de shows-bailes.

Ele conta que, tradicionalmente, o pinhão adquirido para os camarins da Festa é comprado de produtores das regiões do Tributo, em Lages, e de Painel. “O pinhão dessas regiões é muito saboroso e mais graúdo. E também porque são locais de maior produção, mesmo em tempo de menor safra”, diz Cabeça.

A busca pelo pinhão, a cada nova Festa, sempre foi uma das atividades desenvolvidas por ele ao longo do tempo de servidor público da Prefeitura de Lages. Conta que participou de todas as Festas já realizadas. “Hoje aposentado, fui novamente convidado para cuidar do abastecimento de pinhão e da decoração dos camarins”, fala.

A sapecada de pinhão é uma das especialidades deste servidor aposentado. “O pinhão sapecado e meio às grimpas do pinheiro é incomparável. O gosto do pinhão é muito especial, diferente”, comenta.

 

Texto: Iran Rosa de Moraes

Fotos: Ary Barbosa de Jesus Filho