Conta de luz em Santa Catarina terá reajuste de 13,53% a partir de 22 de agosto

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    A conta de energia elétrica em Santa Catarina ficará mais cara a partir do dia 22 de agosto. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou um reajuste médio de 13,53% nas tarifas da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina).

    De acordo com a concessionária, mesmo com o aumento, a tarifa residencial em Santa Catarina continua abaixo da média nacional e segue acompanhando a inflação.

    Como é formada a conta de luz?

    A fatura de energia elétrica é dividida em duas parcelas principais:

    • Parcela A: valores que a Celesc apenas repassa a outros agentes do setor, como geração e transmissão de energia e encargos setoriais;

    • Parcela B: recursos destinados à manutenção da rede, investimentos e custos operacionais da própria distribuidora.

    Segundo a Celesc, o reajuste foi influenciado, principalmente, pelo aumento dos encargos setoriais, que fazem parte da Parcela A e não são controlados pela empresa. Esses custos são definidos por políticas públicas do governo federal e obrigatoriamente repassados ao consumidor.

    Entenda o cálculo do reajuste

    A Aneel explica que o processo de reajuste segue dois mecanismos previstos em contrato: a Revisão Tarifária Periódica (RTP) e o Reajuste Tarifário Anual (RTA). Em anos sem revisão, aplica-se o reajuste anual, que considera a inflação e outros custos do setor.

    No caso da Celesc, a atualização da Parcela B é feita com base no IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), menos o chamado fator X, que busca incentivar a eficiência da distribuidora. Já os custos com compra e transmissão de energia, além dos encargos setoriais, são repassados diretamente ao consumidor.

    O economista Martin Kirsten, mestre em Ciências Econômicas pela UFRGS, destaca a escolha do IGP-M como referência:

    “É bastante tradicional no setor de energia elétrica corrigir contratos pelo IGP-M. Como o índice reflete custos ao produtor, ele garante que a receita acompanhe a própria inflação”, explica.

    O que é o IGP-M?

    Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M é formado por três componentes:

    • IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) – 60% do peso total;

    • IPC (Índice de Preços ao Consumidor) – 30%;

    • INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) – 10%.

    A média ponderada desses índices resulta no valor final do IGP-M, também conhecido como “índice do aluguel”, já que é utilizado em contratos imobiliários.

    Percentuais do reajuste

    O aumento de 13,53% corresponde a uma média entre diferentes perfis de consumidores em Santa Catarina:

    • Residenciais (mais de 90% dos clientes da Celesc): 12,3%;

    • Grupo A (alta tensão – grandes indústrias): 15,8%;

    • Grupo B (baixa tensão – pequenos comércios e áreas rurais): 12,41%.

    Segundo a Celesc, a classe residencial teve impacto menor porque os custos fixos são divididos por uma grande quantidade de consumidores. Já para indústrias e grandes clientes, os reajustes foram mais significativos.

    Como reduzir o impacto na conta?

    Especialistas orientam que pequenas mudanças no dia a dia podem ajudar a aliviar o aumento:

    • Usar lâmpadas de LED;

    • Desligar aparelhos eletrônicos após o uso;

    • Ajustar o chuveiro para a temperatura adequada;

    • Evitar o uso excessivo de eletrodomésticos de alto consumo, como forno elétrico, ferro de passar, secadora e lava-louças;

    • Manter o ar-condicionado em 23°C, temperatura considerada ideal para economia.

    O economista Martin Kirsten lembra que reajustes periódicos fazem parte da dinâmica do setor elétrico:

    “Às vezes, a empresa distribuidora corrige as tarifas para manter as finanças em dia. Em outros casos, o reajuste pode servir para frear o uso exagerado de energia, como ocorre com as bandeiras tarifárias”, explica.