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NOTISERRA SC, SÃO JOAQUIM
21/01/2026 18h50 ⟳ Atualizada em 21/01/2026 às 18h50

Um dos símbolos mais marcantes da comunicação urbana no Brasil está com os dias contados. Os tradicionais orelhões, que por décadas fizeram parte da paisagem das cidades, começarão a ser retirados em massa das ruas de todo o país. Ainda neste mês, será realizada a remoção de carcaças e aparelhos já desativados, marcando o início do fim definitivo dos telefones públicos.

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cerca de 30 mil orelhões ainda existentes no Brasil serão gradualmente desativados e removidos até o dia 31 de dezembro de 2028. A medida reflete a queda acentuada no uso do serviço, substituído quase que integralmente pelos telefones celulares e pelas novas tecnologias de comunicação.

A icônica cabine de telefones públicos brasileira foi criada pela arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira, responsável por um dos projetos de design mais reconhecidos do país. Nascida em Xangai, na China, em 1941, Chu Ming veio para o Brasil ainda criança, pouco antes de completar 10 anos.

Formada em arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1964, ela atuava como arquiteta na Companhia Telefônica Brasileira (CTB) quando recebeu, nos anos 1960, a missão de desenvolver um novo modelo de telefone público. O resultado foi o famoso orelhão, pensado para oferecer proteção acústica e resistência às intempéries.

O primeiro aparelho foi instalado em 1971, na rua Sete de Abril, no centro de São Paulo. Já no ano seguinte, os orelhões começaram a se espalhar por todo o território nacional. Em seu auge, estima-se que o Brasil tenha chegado a contar com cerca de 1,2 milhão de telefones públicos em funcionamento.

Chu Ming Silveira faleceu em 1997, em São Paulo, vítima de microembolia pulmonar. Seu legado, no entanto, permanece vivo como um marco do design brasileiro e da história das telecomunicações no país. Agora, com a retirada definitiva dos orelhões, encerra-se também um capítulo importante da memória urbana e do cotidiano de gerações de brasileiros.

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