
Um caso de injúria racial registrado em São Joaquim ganhou repercussão após o relato de Luan Pereira da Silva, de 32 anos, que afirma ter sido alvo de ofensas racistas enquanto trabalhava no município.
Segundo Luan, o episódio ocorreu após uma colega de trabalho realizar a venda de um sofá e uma poltrona para uma cliente. De acordo com ele, a consumidora já estaria alterada e discutindo com a funcionária há cerca de sete minutos quando ele decidiu intervir para tentar acalmar a situação.
“Eu fui apartar, tentar amenizar e oferecer um copo de água, porque ela estava bastante alterada. Mas ela não quis me ouvir e começou a desferir insultos racistas contra mim”, relatou.
Ainda conforme o depoimento, colegas que presenciaram a cena começaram a filmar a discussão. Luan afirma que, devido ao nervosismo, não conseguiu registrar as imagens, mas destacou a importância das gravações feitas pelas funcionárias.
Entre as ofensas, ele relata que foi chamado de “crespo fresco” e que a cliente teria afirmado que, com seu “cabelinho pixaco”, ele “não iria a lugar nenhum”. Para Luan, as declarações foram especialmente dolorosas por atingirem características físicas relacionadas à sua identidade racial.
“Para mim foi a maior ofensa, porque é justamente sobre a nossa batalha para ter espaço, liberdade para trabalhar e igualdade. Eu não vejo sentido nenhum em distinção de cor”, desabafou.
Luan informou que registrou boletim de ocorrência enquanto ainda estava empregado. As duas colegas que filmaram o caso também prestaram depoimento na delegacia. O caso agora segue sob apuração das autoridades competentes.
Atualmente desempregado, ele afirma que busca justiça e espera que situações como essa não voltem a se repetir. “É uma luta que vem de gerações. Hoje a gente usa a internet para se expressar, para que daqui duas ou três gerações não seja mais necessário passar por isso. A única coisa que eu quero é justiça”, afirmou.
O espaço segue aberto para manifestação da outra parte envolvida.



