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A colheita da maçã segue em ritmo intenso em São Joaquim, na Serra Catarinense. Além dos números positivos da safra, a atividade representa oportunidade e dignidade para centenas de trabalhadores que atuam nos pomares da região.

Ao contrário de algumas informações divulgadas recentemente, trabalhadores que chegam à Serra Catarinense relatam boas condições de trabalho. Muitos produtores realizam toda a parte burocrática da contratação e oferecem alimentação e moradia adequadas durante o período da safra.

A reportagem do NotiSerraSC esteve em áreas de colheita no município e conversou com jovens vindos do Ceará, que destacaram o acolhimento e a experiência vivida na região.

Francisco Haroldino Alexandre, de 28 anos, está há seis meses em Santa Catarina. Natural do Ceará, ele afirma que encontrou respeito e estabilidade no trabalho. “Graças a Deus eu sou bem tratado por eles. Eles me tratam com respeito, e é o que vale hoje em dia. Meu salário todo mês está na conta, graças a Deus.”

Para ele, participar da colheita é motivo de satisfação, principalmente ao acompanhar de perto o desenvolvimento da fruta. “É uma coisa boa. É um trabalho bom, dá gosto de estar aqui colhendo essa maçã.”

Outro trabalhador entrevistado foi João Murilo de Souza Alves, de 23 anos, também natural do Ceará. Ele destaca que a experiência tem sido positiva, mesmo com as diferenças climáticas entre as regiões. “Tô achando bom, experiência top. É bem diferente, principalmente o clima, mas a gente tá se adaptando.”

João afirma ainda que tem recebido apoio no dia a dia e que a adaptação tem sido tranquila. “A gente tá sendo bem tratado. Quando precisa, o pessoal chega junto. É a primeira vez colhendo maçã assim, no pé, e tô gostando bastante. Não tá sendo tão difícil como eu imaginei.”

Todos os anos, a colheita da maçã em São Joaquim atrai trabalhadores de diversas regiões do Brasil, fortalecendo a economia local e gerando empregos diretos e indiretos. Além da relevância econômica, a safra também representa oportunidade de renda, aprendizado e crescimento para quem escolhe a Serra Catarinense como destino de trabalho.

A AMAP orienta os produtores a realizarem contratações dentro da legalidade, cumprindo todos os requisitos trabalhistas para garantir uma safra regular e responsável. Em nota, a entidade destacou:

“A AMAP repudia, com absoluta firmeza, qualquer forma de trabalho análogo à escravidão. Isso é inaceitável e deve ser combatido com rigor.

Ao mesmo tempo, repudiamos a generalização e a estigmatização da cadeia produtiva da maçã, que atinge indiscriminadamente produtores e trabalhadores que atuam com regularidade, responsabilidade e respeito à lei.

O enfrentamento de ilícitos exige seriedade, provas, fiscalização eficiente e responsabilidade na comunicação pública, sem prejulgamentos e sem criminalização coletiva.”

A entidade também ressaltou ações preventivas no setor. Em Santa Catarina, o Sebrae atua junto aos produtores por meio do programa “Trabalho Legal na Maçã”, iniciativa voltada à regularização trabalhista, capacitação jurídica, assistência técnica de campo, segurança do trabalho e melhoria da gestão, promovendo conformidade legal e melhores condições laborais.

A AMAP afirmou ainda que está à disposição para colaborar com ações efetivas de prevenção e apuração e que adotará providências institucionais para solicitar esclarecimentos formais sobre conteúdos divulgados recentemente.

A nota encerra com uma mensagem direta: trabalho digno é obrigação — e generalizações não contribuem para a justiça.