
O que começou como uma incerteza no mercado internacional de petróleo já começa a impactar diretamente o abastecimento em São Joaquim, na Serra Catarinense. Os seis postos de combustível do município passaram a adotar medidas de racionamento para evitar o desabastecimento total.
Em alguns estabelecimentos, a venda de combustível está limitada entre 10 e 50 litros por cliente, principalmente no caso do diesel. A situação provocou grande movimentação nos postos, com motoristas formando filas para garantir o abastecimento.
Segundo Volnei Donizete Nunes, proprietário do Auto Posto da Serra, o principal problema neste momento não é exatamente a falta de combustível, mas sim o aumento repentino da demanda causado pelo receio da população.
De acordo com ele, o desespero faz com que muitos motoristas tentem encher completamente o tanque ou até armazenar combustível em galões, o que acaba pressionando ainda mais o abastecimento.
“Eu estou há 25 anos no ramo e o que peço para a população é calma. Se cada um abastecer apenas o que realmente precisa, não vai faltar combustível. Se um posto não tiver naquele momento, outro terá. O problema é quando todo mundo quer encher o tanque ou fazer estoque”, explica.
Volnei afirma que as distribuidoras reduziram o volume de combustível enviado para a região, que chega principalmente a partir de Lages. Com menos carga chegando e um consumo muito maior do que o normal, os postos acabam tendo dificuldade para acompanhar a demanda.
“Se chega menos combustível e a venda aumenta muito, fica impossível atender todo mundo. Mas se cada pessoa pegar apenas o necessário para trabalhar ou se deslocar, vai dar para atender a todos”, reforça.
Safra da maçã gera preocupação
A situação também preocupa o setor agrícola. Em São Joaquim, conhecida como a Capital Nacional da Maçã, o diesel é essencial para manter tratores e caminhões em operação durante a colheita.
A safra 2026 projeta mais de 400 mil toneladas da fruta, mas menos de 40% da produção foi colhida até o momento. O receio é que a escassez de combustível possa comprometer o transporte da produção e o ritmo da colheita.
Apesar do cenário de alerta, os empresários do setor acreditam que o abastecimento pode ser mantido se houver consumo consciente.
“Por enquanto ninguém vai ficar sem diesel para colher a safra. O que precisamos é tranquilidade e que cada um abasteça apenas o necessário”, conclui o empresário.
A crise em São Joaquim reflete um cenário mais amplo que atinge o Sul do Brasil, impulsionado por fatores internacionais, alta demanda do setor agrícola e limitações logísticas no fornecimento de combustíveis.



