
Com foco na organização da cadeia produtiva e no fortalecimento do setor agro em Santa Catarina, o Projeto de Fortalecimento da Ovinocaprinocultura Catarinense, de abrangência estadual, teve seu lançamento regional realizado no início do mês de abril, em Lages. A iniciativa integra um investimento de R$ 6 milhões e reúne a atuação conjunta do Sebrae/SC e Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura. A iniciativa conta ainda com a parceria de Epagri, Cidasc, Faesc/ Senar, Arco, ACCO e Abecol. O evento na Serra Catarinense reuniu produtores rurais, autoridades, técnicos e representantes de entidades parceiras, marcando o início da implementação das ações na região dentro de uma estratégia estruturada para o desenvolvimento da atividade em todo o estado.
O projeto conta com a articulação da Câmara Setorial da Ovinocaprinocultura, instalada em 2024, que atua na organização do setor e no alinhamento entre produtores, entidades e mercado. A iniciativa também prevê a construção de uma estratégia de longo prazo, com foco na consolidação da ovinocaprinocultura como uma atividade estruturada, competitiva e sustentável.
A iniciativa A construção do projeto teve como base um levantamento técnico realizado pelo Sebrae/SC em todo o estado, que analisou 370 propriedades rurais. Na Serra Catarinense, foram contemplados 80 produtores, distribuídos em nove municípios: Lages, Anita Garibaldi, Urubici, Urupema, Bom Retiro, Cerro Negro, São José do Cerrito, Palmeira e Painel. O diagnóstico permitiu mapear informações como número de animais, raças, perfil produtivo e estrutura das propriedades, subsidiando a definição das ações estratégicas.
A partir desse cenário, a Serra Catarinense passa a integrar a iniciativa estadual, estruturada para enfrentar um dos principais desafios da atividade: a desconexão entre produção e mercado. Enquanto produtores relatavam dificuldades para comercializar, o setor de beneficiamento apontava baixa oferta de animais. O projeto busca organizar a base produtiva, garantindo volume, qualidade, regularidade e rastreabilidade. Entre as ações estão assistência técnica, melhoria genética, qualificação da produção, avanços em sanidade e incentivo à agregação de valor, além da integração entre produção, indústria e comercialização para ampliar o acesso a mercados e fortalecer o setor.
O convênio, formalizado em outubro de 2025 e com execução até dezembro de 2026, já apresenta resultados expressivos e prevê atender 800 produtores em 2026, com ações integradas de consultoria, assistência técnica e acesso a mercados. Exemplo disso é a experiência do produtor Milton Duarte, de Anita Garibaldi. Há cinco anos, ele iniciou a criação com apenas 10 ovelhas e um reprodutor e, atualmente, conta com um rebanho de 60 matrizes, comercializando entre 120 e 150 cordeiros por mês, entre produção própria e animais adquiridos para acabamento. “Com a entrada dos técnicos, a produção melhorou bastante. Hoje já alcanço cerca de 80% do que o mercado exige e sei que ainda posso evoluir. No início, havia insegurança, principalmente pela dificuldade de comercialização, mas hoje vejo que é uma atividade rentável e com futuro. Comecei com poucas ovelhas e hoje tenho um rebanho estruturado, trabalhando com produção para abate e buscando crescer ainda mais”, destaca.
Um estudo de inteligência de mercado está sendo realizado pelo Sebrae/SC e tem entrega prevista para o fim de abril. O levantamento está mapeando os polos consumidores, concorrentes, oportunidades e tendências da ovinocaprinocultura no Brasil, orientando decisões e investimentos do setor. Para o vice-conselheiro do Sebrae/SC, Marcos Pagani, a iniciativa representa um movimento estratégico para o desenvolvimento da atividade no estado. “Estamos organizando a cadeia produtiva com base em dados, identificando oportunidades, ampliando mercados e agregando valor à produção. É um projeto que conecta estratégia, desenvolvimento econômico e geração de renda no campo”, destacou.
A incorporação de tecnologias voltadas à melhoria genética dos rebanhos, com base em pesquisas da Embrapa, já está em andamento, assim como parcerias para trazer animais geneticamente superiores ao estado. O projeto também prevê ações de agregação de valor e fortalecimento da comercialização.
De acordo com a representante da Associação Catarinense de Criadores de Ovinos, a médica veterinária Luísa Ramos Ribeiro, a Serra Catarinense se destaca como um importante banco genético, com produção de matrizes de qualidade reconhecida. Segundo ela, há uma demanda crescente no mercado ainda não atendida. “Hoje há falta de cordeiros, e estamos trabalhando para estruturar e fortalecer a base produtiva, por meio de projetos que levam tecnologia ao campo. Nesse contexto, a iniciativa conduzida pelo Sebrae tem sido fundamental para qualificar a produção, ampliar a produtividade e dar mais segurança ao produtor. O foco da associação está no rebanho comercial, que impulsiona a ovinocultura no estado, além do fortalecimento de iniciativas como o Campeonato do Cordeiro Catarinense e das exposições”, destaca.
Por Catarinas Comunicação || Por Lizzi Borges || Fotos Fabiano Pereira




