Um mês após tragédia com helicóptero que matou cinco pessoas na Serra Catarinense, destroços ainda permanecem no local

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    Equipes do NotiserraSC, Rádio Difusora FM e NDTV retornaram ao ponto onde a aeronave foi encontrada, após uma caminhada de aproximadamente 2,5 quilômetros. Profissionais que participaram das buscas relembram os desafios da operação, enquanto a Polícia Científica apresenta o andamento dos trabalhos periciais.

    Nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, completa-se um mês do acidente de helicóptero que deixou cinco pessoas mortas na Serra Catarinense. A tragédia, registrada em setembro, mobilizou uma grande operação de buscas, envolvendo bombeiros militares, equipes especializadas, aeronaves, drones e voluntários.

    O helicóptero, que havia decolado de Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina, com destino a São Joaquim, desapareceu na segunda-feira, 21 de setembro. A aeronave foi localizada na terça-feira, dia 22, por volta das 11h33, em uma região de difícil acesso. Nenhum dos ocupantes sobreviveu.

    Entre as vítimas estavam o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira, conforme as informações fornecidas à reportagem.

    Equipes de reportagem retornam ao local um mês depois

    Para mostrar como está a região um mês após a tragédia, as equipes do NotiserraSC, Rádio Difusora FM e NDTV retornaram ao ponto onde o helicóptero foi encontrado.

    O deslocamento exigiu aproximadamente uma hora de caminhada por uma área de vegetação e terreno acidentado. Foram cerca de 2,5 quilômetros percorridos até o local do acidente, evidenciando as dificuldades enfrentadas pelos profissionais que participaram das buscas em setembro.

    Ao chegar à área, a reportagem constatou que grande parte dos destroços da aeronave ainda permanecia no terreno. Apenas os motores haviam sido retirados.

    Segundo informações repassadas pela empresa responsável, a previsão é de que, em breve, seja realizada a retirada do restante da fuselagem, seguida da limpeza da área.

    O cenário, um mês depois, ainda apresenta marcas da tragédia que mobilizou Santa Catarina e ganhou repercussão nacional.

    Polícia Científica conclui laudos e finaliza levantamento em 3D

    A Polícia Científica de Santa Catarina também apresentou informações sobre o andamento dos trabalhos realizados após o acidente.

    Em entrevista à reportagem, Tatiane Almeida explicou que diferentes setores da instituição atuaram na ocorrência e que parte dos procedimentos periciais já foi concluída.

    De acordo com ela, os laudos de necropsia das cinco vítimas foram finalizados e entregues. Também foram concluídos os registros periciais do local, incluindo fotografias e a documentação das condições em que a aeronave e as vítimas foram encontradas.

    Outra etapa importante envolve o levantamento tridimensional da área do acidente.

    Segundo Tatiane, o laudo produzido a partir do scanner 3D está em fase de finalização. A tecnologia permite realizar um mapeamento detalhado do cenário, contribuindo para a documentação técnica da ocorrência.

    A profissional esclareceu ainda que o trabalho da Polícia Científica ocorre de forma independente da investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), responsável pela investigação aeronáutica.

    O CENIPA busca identificar os fatores que contribuíram para o acidente, enquanto a Polícia Científica desenvolve os procedimentos periciais de sua competência.

    Até o momento, as informações apresentadas não estabelecem uma causa definitiva para a queda da aeronave.

    Operação mobilizou cerca de 40 bombeiros militares

    O tenente Amerco Frison, do Corpo de Bombeiros Militar de São Joaquim, relembrou os desafios enfrentados durante a operação de buscas.

    Segundo ele, os primeiros trabalhos começaram ainda na segunda-feira, após a informação sobre o desaparecimento da aeronave.

    Na manhã de terça-feira, as equipes intensificaram a operação a partir das 6h, utilizando cães de busca, drones equipados com câmeras infravermelhas e o helicóptero Arcanjo 03.

    Ao todo, aproximadamente 40 bombeiros militares participaram dos trabalhos, além de bombeiros comunitários e outras equipes de apoio.

    Frison destacou que a operação exigiu um grande esforço de organização, principalmente pela dificuldade de acesso à região e pela necessidade de coordenar os diferentes recursos empregados.

    O deslocamento terrestre até a área onde os destroços foram encontrados levou cerca de três a quatro horas para algumas equipes.

    Além dos desafios operacionais, a grande repercussão do desaparecimento também exigiu atenção especial à comunicação com a imprensa e à divulgação das informações.

    Para o tenente, um dos momentos mais marcantes foi a chegada ao local onde estavam os destroços e as vítimas.

    Ele relatou que, após a localização, foi necessário organizar a área para permitir o trabalho pericial e os demais procedimentos realizados pelos órgãos responsáveis.

    Voluntário relembra buscas durante a madrugada, sob chuva e neblina

    Entre as pessoas que participaram voluntariamente das buscas estava Fabrício Suzin, conhecedor da região onde ocorreu o acidente.

    Em entrevista ao NotiserraSC, ele contou que esteve nas proximidades do local ainda durante a madrugada de segunda para terça-feira.

    Segundo Fabrício, o grupo chegou a uma distância estimada de aproximadamente 300 metros do ponto onde a aeronave seria encontrada posteriormente.

    Apesar da proximidade, as condições do tempo dificultaram a localização.

    A região estava tomada pela neblina, com chuva e baixa visibilidade. Além disso, os voluntários não perceberam cheiro de combustível ou qualquer sinal luminoso que pudesse indicar a presença dos destroços.

    Na terça-feira, Fabrício retornou às buscas e, durante a tarde, recebeu a confirmação de que o helicóptero havia sido localizado.

    Um mês depois, ele relembra as dificuldades enfrentadas e lamenta a perda das cinco vítimas.

    O voluntário também destacou que ainda existem questionamentos sobre as circunstâncias do acidente e que é necessário aguardar informações concretas das investigações oficiais.

    Um mês depois, permanecem as lembranças e as perguntas

    O retorno da reportagem ao local do acidente mostrou que, apesar da passagem de um mês, os destroços ainda fazem parte da paisagem da região.

    A caminhada de aproximadamente uma hora também permitiu compreender parte das dificuldades enfrentadas pelos bombeiros, policiais e voluntários que participaram da operação.

    Para os profissionais envolvidos, a ocorrência permanece na memória como uma das operações de grande complexidade realizadas na Serra Catarinense.

    Enquanto a Polícia Científica finaliza os procedimentos periciais sob sua responsabilidade, a investigação aeronáutica busca esclarecer os fatores que contribuíram para a queda.

    A tragédia deixou cinco vítimas, mobilizou dezenas de profissionais e marcou profundamente familiares, amigos e todos aqueles que acompanharam as buscas.

    Um mês depois, a movimentação das equipes de resgate deu lugar ao silêncio da serra. No local, permanecem os destroços de uma aeronave e as marcas de uma tragédia que ainda aguarda respostas definitivas.

    Reportagem: Wagner Urbano – NotiserraSC, Rádio Difusora FM e NDTV.