O Queijo Artesanal Serrano, um dos produtos mais tradicionais da Serra Catarinense, representa muito mais do que um alimento típico. Produzido há gerações nos campos de altitude, ele carrega a história, a cultura e os costumes das famílias que ajudaram a construir a identidade da região. Em 2026, essa tradição ganhou ainda mais reconhecimento com a declaração do produto como Patrimônio Cultural de Santa Catarina.
Um exemplo dessa história está no Sítio Santo Antônio, localizado no município de Bom Retiro, onde o casal Air e Jacinta Zanelato mantém viva a tradição da produção artesanal do queijo.
Na propriedade, o cuidado começa muito antes da fabricação. As vacas possuem nomes, como Barraca, Canastra, Camponesa e Dolomita, e são conhecidas individualmente pelos produtores. Segundo Air, a qualidade do queijo está diretamente relacionada ao manejo dos animais, à alimentação e às boas práticas adotadas no campo.
A história do casal com a produção começou em 2006, quando decidiram deixar o serviço público para investir na vida rural. Inicialmente, a intenção era trabalhar com a produção de vinhos e a criação de gado, mas a fabricação do queijo, inspirada na tradição familiar, acabou se tornando a principal atividade da propriedade.
“Escolhemos o queijo para ser nossa atividade e, no fim, foi o queijo que nos escolheu”, conta Air Zanelato.
Produção artesanal e maturação garantem características únicas

O Queijo Artesanal Serrano é produzido com três ingredientes básicos: leite cru, coalho e sal. Entretanto, uma das principais características do produto está no processo de maturação, que, conforme o método apresentado pelos produtores, dura pelo menos 60 dias.
Durante esse período, o queijo desenvolve características próprias de textura, aroma e sabor, influenciadas pelas condições ambientais e pela microbiota da região.
Segundo Jacinta Zanelato, esse processo é um dos principais diferenciais em relação a outros queijos tradicionais.
“O que muda dos outros queijos é justamente a maturação. O queijo colonial pode sair da forma e ser vendido. O serrano precisa do tempo. É esse processo que transforma o sabor”, explica.
A ligação com o território também é considerada fundamental pelos produtores, já que as características naturais dos campos de altitude contribuem para a identidade do produto.
Tradição atravessa gerações na Serra Catarinense
A história do Queijo Artesanal Serrano remonta ao século XVIII, quando a produção começou a se consolidar nos campos de altitude do Sul do Brasil.
Na época, a fabricação do queijo era uma alternativa para conservar o leite por períodos mais longos, especialmente durante os rigorosos invernos da região.
Com o passar dos anos, a atividade foi transmitida entre gerações e se tornou parte importante da cultura e da economia das propriedades rurais.
Para Air Zanelato, preservar essa tradição significa manter viva a história das famílias serranas.
“É uma história que representa a nossa origem e a identidade do povo serrano. A nossa inovação é trazer o passado para os dias de hoje”, destaca o produtor.
Reconhecimento como Patrimônio Cultural de Santa Catarina
A importância histórica e cultural do Queijo Artesanal Serrano também passou a ser reconhecida oficialmente.
Em 2020, o produto conquistou a Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento abrange uma região formada por 34 municípios, sendo 18 em Santa Catarina e 16 no Rio Grande do Sul.
A certificação reconhece a relação entre as características do queijo, seu modo de produção e as condições naturais do território.
Em Santa Catarina, a atividade também passou por avanços na legislação. A Lei Estadual nº 17.003/2016 estabeleceu normas relacionadas à produção artesanal, enquanto a Lei nº 18.612/2023 passou a disciplinar a produção e a comercialização do Queijo Artesanal Serrano.
Mais recentemente, a Lei Estadual nº 19.796/2026 declarou oficialmente o produto como Patrimônio Cultural de Santa Catarina, reforçando sua importância para a preservação da identidade regional.
Tradição também fortalece o turismo rural
Além da importância cultural e econômica, a produção do Queijo Artesanal Serrano também representa uma oportunidade para o desenvolvimento do turismo rural na Serra Catarinense.
Propriedades como o Sítio Santo Antônio permitem que visitantes conheçam de perto o processo de fabricação, a história das famílias produtoras e os costumes que fazem parte da vida no campo.
A experiência aproxima os consumidores da origem dos alimentos e contribui para valorizar os pequenos produtores que mantêm viva essa tradição.
Mais do que um produto gastronômico, o Queijo Artesanal Serrano é um símbolo da relação entre o homem, a terra e a cultura dos campos de altitude.
Em cada pedaço, estão presentes séculos de história, conhecimento transmitido entre gerações e o sabor de uma tradição que continua viva na Serra Catarinense.





