
A situação das inundações continua preocupante em Lages, na Serra Catarinense, nesta quinta-feira, 5 de novembro. Mesmo com o retorno do sol, o nível dos rios segue aumentando, provocando a retirada preventiva de famílias e deixando residências cercadas pela água.
Na medição realizada no início da tarde, o rio Carahá atingiu 6,67 metros, conforme a régua instalada junto à ponte de acesso ao bairro Caça e Tiro, na Avenida Belizário Ramos. A água já alcançava a base da estrutura de concreto e o pavimento da ponte.
A elevação do nível dos rios preocupa principalmente moradores dos bairros Caça e Tiro, Várzea e Ferrovia, onde a inundação avança gradualmente, mesmo após a diminuição das chuvas.
Famílias perdem móveis e deixam residências

Em diferentes pontos da cidade, moradores precisaram retirar móveis e pertences de dentro das casas. Sofás, colchões e eletrodomésticos foram colocados nas ruas, enquanto famílias aguardavam a água baixar para avaliar os prejuízos.
O pedreiro Edilson da Cruz foi um dos atingidos. Ele contou que a água chegou rapidamente e não houve tempo suficiente para salvar todos os pertences.
“A gente pegou a chuva, pegou nós de surpresa. Não deu tempo de tirar nada. Conseguimos tirar algumas coisas com a ajuda de um rapaz que emprestou uma canoa, mas o resto ficou tudo embaixo d’água”, relatou.
Apesar das perdas, Edilson afirmou que pretende seguir em frente.
“Não é fácil, não. Mas não tem o que fazer. Tem que seguir em frente, tocar o barco”, desabafou.
Morador relata fuga durante a madrugada

O pedreiro Tadeu Andrade Neves também enfrentou momentos de tensão. Segundo ele, a água invadiu a residência de forma repentina durante a madrugada, obrigando a família a sair às pressas.
“Foi repentino. O vizinho gritou, me chamou, era umas três e meia da manhã. Só deu tempo de pegar as crianças, umas mudas de roupa e sair”, contou.
Tadeu afirma que perdeu praticamente tudo o que estava dentro da residência.
“Minha casa já não tem mais nada. O que tinha a água já levou. A situação é terrível, é de muita destruição”, lamentou.
O morador também destacou que os problemas com inundações na região não são recentes e que a situação gera desânimo entre as famílias atingidas.
Moradores ajudam vizinhos a salvar pertences

O vigilante César Batista, que também mora em uma das regiões atingidas, afirmou que nunca havia presenciado um volume tão grande de água no bairro.
“Desde que eu moro aqui, é a primeira vez que vejo esse tanto de água”, relatou.
Na residência dele, a água havia alcançado a garagem. César conseguiu retirar o carro a tempo e passou a ajudar vizinhos a guardar alguns pertences.
“A sensação é horrível, principalmente pelos vizinhos que estão em situação pior. Estou guardando algumas coisas deles na minha casa. É triste”, afirmou.
Defesa Civil explica por que os rios continuam subindo

O coordenador da Defesa Civil de Lages, Paulo da Silva Ribeiro, conhecido como Sargento Ribeiro, explicou que o município enfrenta um fenômeno chamado inundação gradual.
Segundo ele, o rio Carahá e o rio Ponte Grande deságuam no rio Caveiras. Como o Caveiras está com o nível elevado, ocorre um represamento da água, fazendo com que os rios continuem subindo mesmo sem novas chuvas.
“Mesmo sem chover, a água represa no rio Caveiras e começa a subir aos poucos. É a chamada inundação gradual”, explicou.
O coordenador informou que o nível da água está sendo monitorado de hora em hora. A expectativa é que os rios estabilizem e comecem a baixar conforme o nível do rio Caveiras diminua.
Mais de 167 ocorrências atendidas

De acordo com Sargento Ribeiro, a Defesa Civil atua desde a noite de terça-feira (3), quando fortes rajadas de vento provocaram destelhamentos, quedas de árvores e danos em estruturas.
Na quarta-feira (4), o grande volume de chuva agravou a situação. Segundo o coordenador, o acumulado chegou a aproximadamente 132 milímetros em 24 horas, provocando alagamentos em diferentes regiões da cidade.
Até a tarde desta quinta-feira, mais de 167 ocorrências haviam sido atendidas, envolvendo destelhamentos, inundações, quedas de árvores e outros danos relacionados ao temporal.
O coordenador também mencionou cerca de 600 famílias atingidas direta ou indiretamente pelos eventos climáticos. O número foi apresentado como estimativa durante a entrevista.
Famílias são encaminhadas para abrigo municipal

A Prefeitura de Lages, por meio da Coordenação Municipal de Proteção e Defesa Civil, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar e a Assistência Social, realiza a retirada preventiva de moradores de áreas inundadas.
Parte das famílias está sendo acolhida por parentes. Já aquelas que não possuem outro local para permanecer estão sendo encaminhadas ao abrigo temporário instalado no Ginásio Jones Minosso, no bairro Universitário.
O espaço foi preparado para receber moradores que precisaram deixar suas residências em razão da elevação das águas.
Defesa Civil reforça alerta aos moradores

A orientação é para que moradores de áreas próximas aos rios acompanhem constantemente a elevação da água e adotem medidas preventivas.
Segundo o coordenador, quando a água começar a se aproximar das residências, os moradores devem procurar elevar móveis e objetos para locais seguros, desde que isso possa ser feito sem risco.
Caso a água alcance a entrada das casas, a recomendação é acionar imediatamente a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros, evitando tentativas de retirada por conta própria em locais inundados.
Mesmo com a melhora das condições do tempo, a situação permanece sob monitoramento em Lages, especialmente nos bairros próximos aos rios Carahá, Ponte Grande e Caveiras.




