10/01/2026 12h41 ⟳ Atualizada em 10/01/2026 às 12h41

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul abre caminho para a criação da maior área de livre comércio do mundo, reunindo um mercado potencial de cerca de 451 milhões de consumidores europeus. Para o Brasil, os impactos tendem a ser significativos, especialmente no agronegócio, setor que já ocupa posição central na pauta de exportações do país.
Na avaliação do contador e consultor Altair Heitor, CFO da Palin & Martins, o tratado representa uma mudança estrutural no posicionamento do agro brasileiro no comércio internacional. Segundo ele, a redução gradual de tarifas e a maior previsibilidade regulatória devem tornar o ambiente mais competitivo, ao mesmo tempo em que elevam o nível de exigência para produtores e empresas exportadoras.
“Estamos falando de um redesenho de acesso ao mercado. O produtor passa a competir em condições mais claras, o que tende a melhorar margens e estimular investimentos, sobretudo em cadeias já consolidadas”, afirma.
Dados do Ministério da Agricultura indicam que o agronegócio respondeu por cerca de 49% das exportações brasileiras em 2025, tendo a União Europeia entre seus principais destinos. Produtos como soja, carnes, açúcar, café e suco de laranja concentram grande parte desse fluxo. Com o acordo, as tarifas de importação desses itens devem ser reduzidas ou eliminadas de forma escalonada, ampliando a competitividade frente a outros fornecedores globais.
Estimativas da Comissão Europeia apontam que o comércio bilateral entre os blocos pode crescer dezenas de bilhões de euros nos próximos anos, com reflexos positivos sobre renda, emprego e investimentos. No curto e médio prazos, o agronegócio aparece como o principal beneficiado, enquanto os efeitos sobre a indústria brasileira tendem a ocorrer de forma mais gradual.
Além do impacto comercial, o acordo também reforça efeitos tributários já conhecidos do setor exportador. A ampliação das vendas externas para a União Europeia aumenta o volume de operações imunes ou com alíquota zero de ICMS, PIS e Cofins, o que resulta no acúmulo de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva.
Nesse contexto, ganham importância medidas como a revisão da cadeia de comercialização, a correta estruturação das operações de exportação, a análise do aproveitamento de créditos e projetos de recuperação e monetização de créditos acumulados, especialmente de ICMS. Segundo Altair Heitor, o acordo não é apenas uma oportunidade comercial, mas também um teste de organização, gestão e conformidade para o agronegócio brasileiro.
Fonte: Misto Brasil
