sicred
Unifique

[dropcap]A[/dropcap]ntes de tudo, gostaria de conversar com você sobre a visão completamente distorcida sobre o que é a bruxaria. Praticantes de velha arte, não comem criancinhas, são defensores ferrenhos do milagre da vida, pois creem que tudo é a manifestação da Grande Mãe. Não cultuam o diabo, pois não creem em sua existência, esta figura  foi incorporada pela igreja na época da inquisição e se perpetua até hoje. Por ultimo e não menos importante, bruxas não voam. Brincadeiras a parte, hoje venho falar sobre a Bruxaria e seus praticantes tentando trazer mais luz a esse mistério.

A bruxaria em tempos modernos recebe o nome de WICCA, fundada na década de 50 por  Gerald Brosseau Gardner e se perpetua até hoje, visando retomar os velhos costumes pagãos. A origem da palavra pagão é do latim paganus, que significa “camponês“, “rústico” e não aquele que não é batizado, como aprendemos hoje em dia. Pagão é todo aquele que possui como base religiosa o campo, a terra e os ciclos do sol e da lua. No passado o ato de plantar e colher era sagrado, quase uma reza silenciosa, uma troca de cuidado do homem com a terra e da terra que devolvia tal zelo em abundancia. Os antigos povos pagãos, cantavam e dançavam sobre o seu sagrado solo de colheita, honravam e agradeciam, haviam festividades que duravam dias a fio e é sobre essas festividades e costumes que se pauta o ritos da bruxaria até hoje.

FESTIVIDADES

A bruxaria convida seus praticantes a perceber os ritmos do sol e da lua, e toda bruxa ou bruxo que se preze festeja ao longo do ano os sabbats e esbats:

Sabbats, são as celebrações voltadas ao ciclo do Sol. Na bruxaria tradicional são quatro, e na bruxaria moderna que tem como base o povo celta, celebra-se oito sabbats:  Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lammas, Mabon e  Samhain.

Esbats, são as celebrações dos ciclos da lua que somam treze ao total: Lua das bênçãos, Lua da colheita, Lua da cevada, Lua do vinho, Lua de sangue, Lua escura, Lua do carvalho, Lua do lobo, Lua das tempestades, Lua dos ventos, Lua das sementes, Lua da flor, Lua de contar bençãos.

Cada celebração, possui suas comidas e bebidas sempre com as frutas e legumes da estação, incensos feitos de ervas que crescem no campo naquele período, danças e cantos mais alegres ou mais reflexivos dependendo também da vibração da terra.

FEITIÇOS

 

Um dos maiores temores é a dita, feitiçaria que as bruxas podem lançar. Primeiro vamos entender que a palavras witch (bruxa) deriva de uma palavra em sânscrito que significa, sábia.  Bruxas e bruxos, são aqueles que, sabem… Pessoas, que vão te falar das estrelas, de misturas realmente eficazes de ervas, aqueles que aprenderam manipular energia e tem em seu toque o alivio, são pessoas que  estudam as engrenagens do mundo material e conversam com os espíritos da natureza. Pode parecer bobagem, mas não há uma pessoa que não tenha esbarrado com alguém assim na vida, e que de uma forma estranha te tocou de uma forma diferente.

Feitiços são manipulação de energia e fazemos isso o tempo todo, ao pedir proteção ao seu filho quando ele sai de casa, ao desejar que uma pessoa que te fez mal receba um castigo, ao rezar em silencio pedindo bênçãos. Como os praticantes de bruxaria passam treze luas estudando só para poder se iniciar, e mais uma boa parte da vida, também estudando, sobre ervas, curas, energia, poder da palavra, mitologia, história, astronomia, astrologia, corpo humano denso e etéreo e vivem em grande comunhão com as divindades. Acaba se tornando pessoas que manifestam sua espiritualidade de maneira mais eficaz,  como um músculo, que quanto mais se exercita, mais forte fica. Todos nós temos a capacidade de manifestar tais dons, cabe a cada um de nós buscar isso.

Por fim, não digo que não há praticantes de bruxaria que usam seu conhecimento para prejudicar os outros, mas para minha felicidade são poucos. Em maioria, são trabalhadores da natureza tentando resgatar o equilíbrio perdido entre a vida na matéria a o sagrado, são curadores silenciosos, buscadores da sua melhor versão, honrando sua fé com alegria e entrega.

VARINHAS, VASSOURAS e CALDEIRÃO!

Sim, segue o uso de todos esses instrumentos nos ritos da bruxaria. Mas perceba que esses “instrumentos mágicos” são geralmente ligados as tarefas femininas, o varrer, o cozinhar, o colher. Na época da inquisição mulheres eram a personificação do mal na terra. Afinal carregamos no útero o ritmo perfeito da lua e seus vinte e oito dias de transformação e dos belos esbats. Não se podia confiar numa mulher na época da inquisição, tudo em suas mãos poderia se tornar num objeto da velha bruxaria. Claro que o poder não está no objeto em si, mas no uso que damos ele. Como forma de reverencia aos antepassados se manteve o uso simbólico dos instrumentos mágicos: A boline, o cálice, o caldeirão, o atame, a varinha, o sino, livro e espada. E quanto ao uso da cor preta, ligando os praticantes de bruxaria as “forças do mal”, é que o uso do preto como preferencia de vestuário, se dá pela proteção que as cores escuras nos dá, fechando o nosso campo energético. E não há como esquecer da cruel perseguição religiosa, que obrigou a muitas pessoas que não eram praticantes do catolicismo, a fugir para salvar suas vidas e o tom escuro ajudava a se camuflarem em suas fugas.

QUER SABER MAIS?

Quando se fala de bruxaria, a história é longa. Começamos no tempo neolítico, passamos na era do ferro, do bronze, chegamos nos tempos medievais e na inquisição, que inclusive aconteceu aqui no brasil também.  Hoje falei o necessário para desvendar alguns pontos de intolerância a essa religião que nada mais é do que, a reverencia da terra e de seus mistérios. Vou deixar aqui alguns títulos de livros que falam sobre a bruxaria renascida, e sem contar que uma busca rápida na internet é possível encontra informações de maneira mais simples para quem deseja apenas conhecer e matar a curiosidade.

Guia Essencial da Bruxaria Solitária, Scott cunningham

WICCA Para Todos, Claudiney Prieto

A Dança Cósmica Das Feiticeiras, Starhawk

 

Finalizando nossa conversa de hoje, só tenho a dizer que vinda de um lugar chamado “Ilha da magia” onde lendas, rezos e cantigos falam dessas mulheres misteriosas e poderosas, e que me servem até hoje de inspiração. Só me alegra saber que em noites de lua cheia, espalhados pelo mundo todo há pessoas honrando o poder da lua, ou em dias de solstícios há casas cheirando a pão assado e ervas em agradecimento a fartura da família. Que dia após dia os filhos da terra despertam e retornam para o caminho de poder em uma dança harmônica e universal, todos nós viemos da Deusa e a ela voltaremos.

Blessed be!

 

“Tu no creas en bruja, pero que las hay las hay…”