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O Cancro Europeu da Macieira segue entre as doenças que exigem atenção dos produtores de maçã da Serra Catarinense. Capaz de atingir principalmente ramos, galhos e troncos das macieiras, a doença pode comprometer a produtividade, provocar a morte de partes da planta e, em situações mais severas, levar à perda da própria macieira.

Em uma região onde a fruticultura representa uma das principais atividades econômicas, o monitoramento e a prevenção são considerados fundamentais para evitar a disseminação da doença nos pomares.

Segundo Maykon Cechinel Nunes, gestor Regional da Cidasc, os impactos podem ultrapassar os limites das propriedades e atingir economicamente toda a cadeia produtiva.

“Essa praga atinge a nossa região na produção de maçã. Ela pode se tornar um problema de grande importância econômica e social, porque vai prejudicando a macieira, reduzindo a produção e pode se disseminar muito rápido”, explicou.

Doença aproveita ferimentos para entrar na planta

O engenheiro agrônomo Cleber Pezzini explica que o fungo se instala principalmente nas partes lenhosas e utiliza ferimentos existentes na planta como porta de entrada.

Essas aberturas podem surgir durante atividades comuns no pomar, como a poda e a colheita, além da queda das folhas e de outros ferimentos.

“Com o passar do tempo, o sintoma vai crescendo e se expandindo, causando o anelamento do tronco ou dos galhos. Isso provoca a seca e a mortalidade dos ramos e, em casos mais agressivos, pode levar até à morte da planta”, explicou Pezzini.

As condições de chuva, elevada umidade e temperaturas amenas também favorecem as infecções. Ferimentos causados por granizo, máquinas e outras atividades realizadas nos pomares podem aumentar os riscos.

Segundo o engenheiro agrônomo, a capacidade de disseminação é outro fator que exige atenção. Os esporos produzidos em áreas infectadas podem alcançar outras plantas e propriedades.

Por isso, ao identificar uma lesão suspeita, a orientação é procurar imediatamente o responsável técnico para confirmar o problema e definir as medidas necessárias.

Santa Catarina possui programa específico de controle

Em Santa Catarina, existem regras específicas para prevenção, monitoramento e controle do Cancro Europeu das Pomáceas.

A engenheira agrônoma Mariana Hugen Cechinel explica que o Estado possui o Programa Estadual de Mitigação de Riscos do Cancro Europeu das Pomáceas, estabelecido pela Portaria SAR nº 20, de 19 de abril de 2023.

“O programa estabelece medidas que devem ser tomadas pelos produtores de maçã, viveiristas e responsáveis técnicos para evitar a disseminação dessa praga”, destacou Mariana.

As medidas estaduais complementam as ações de controle oficial existentes no país e estabelecem procedimentos que precisam ser observados tanto nas propriedades produtoras quanto nos viveiros de mudas.

Prevenção começa dentro do pomar

Entre os principais cuidados está a inspeção frequente das macieiras. Quanto mais cedo uma planta com sintomas for identificada, mais rapidamente poderão ser adotadas medidas para impedir que se transforme em uma fonte de disseminação.

Durante a poda, as ferramentas devem ser higienizadas, e o produtor deve observar as recomendações técnicas para evitar operações em condições que favoreçam novas infecções.

Materiais contaminados retirados das plantas também precisam receber a destinação prevista nas orientações sanitárias. Conforme explicado pelos técnicos, a erradicação e a queima do material afetado estão entre as medidas utilizadas para evitar que o fungo continue se espalhando.

Também é fundamental utilizar mudas de origem conhecida e com certificação fitossanitária, além de seguir corretamente as recomendações para aplicação de produtos registrados para a cultura e para o controle da doença.

Cidasc realiza fiscalização e monitoramento

A Cidasc, por meio da Defesa Sanitária Vegetal, atua no monitoramento, fiscalização e execução das medidas previstas nos programas de controle.

Maykon reforça que, diante da identificação ou suspeita da doença, o produtor deve buscar orientação técnica e cumprir os procedimentos estabelecidos.

O combate ao Cancro Europeu depende de uma atuação conjunta entre produtores, responsáveis técnicos, viveiristas, profissionais da assistência técnica e órgãos de defesa sanitária.

Em uma das principais regiões produtoras de maçã do Brasil, impedir o avanço da doença significa não apenas preservar as macieiras, mas também proteger a produtividade dos pomares, a renda das famílias e uma atividade fundamental para a economia da Serra Catarinense.