
Os primeiros sinais atmosféricos e oceânicos já indicam a formação de um possível “Super El Niño”, fenômeno climático que pode provocar eventos extremos de chuva no Sul do Brasil e estiagens severas em outras regiões do país. O alerta foi divulgado pelo Ronaldo Coutinho, da Climaterra.
Segundo o especialista, os índices de monitoramento atmosférico já mostram forte acoplamento entre a atmosfera e o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, condição que fortalece o desenvolvimento do fenômeno.
Um dos principais indicadores observados pelos meteorologistas é o SOI (Índice de Oscilação Sul), que saiu de valores positivos para aproximadamente 10 negativos, sinalizando a intensificação do El Niño.
Além disso, os modelos climáticos apontam que entre novembro, dezembro e janeiro o Oceano Pacífico poderá apresentar temperaturas mais de 3°C acima da média em grande área, cenário considerado compatível com um Super El Niño — categoria reservada aos eventos mais intensos já registrados.
Outro fator que chama a atenção dos meteorologistas é a presença de uma extensa área de águas frias no Atlântico Sul, associada ao aquecimento anormal do Atlântico Tropical. Segundo Ronaldo Coutinho, essa combinação pode alterar o posicionamento dos ciclones e modificar o comportamento tradicional do inverno no Sul do Brasil.
Apesar da influência do El Niño, o inverno deste ano pode apresentar períodos de frio mais intensos que o normal para eventos desse tipo, especialmente devido às águas mais frias próximas ao litoral do Sul da América do Sul.
A previsão também indica mudanças importantes no regime de chuvas em diversas regiões do país. O Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e toda a Região Sul devem enfrentar períodos de chuva muito intensa e frequente, com risco elevado para alagamentos, enxurradas e transtornos.
Os meteorologistas comparam o cenário atual ao padrão climático observado durante o histórico El Niño de 1982 e 1983, considerado um dos mais severos do século passado.
Enquanto isso, outras regiões do Brasil podem sofrer com estiagem e irregularidade nas chuvas. A Amazônia tende a enfrentar seca mais forte, enquanto o Nordeste poderá registrar períodos prolongados sem chuva. Na região do Matopiba — que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — a estação chuvosa pode começar mais tarde e com grande irregularidade.
Além disso, a previsão aponta períodos de calor intenso e persistente no Brasil Central ao longo dos próximos meses.
De acordo com Ronaldo Coutinho, os efeitos do fenômeno já começaram a ser sentidos, mas devem ganhar força principalmente a partir do fim de junho e durante o segundo semestre de 2026.
Especialistas recomendam atenção redobrada dos setores agrícola, de defesa civil e de infraestrutura, diante da possibilidade de eventos climáticos extremos nos próximos meses.
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