O El Niño segue em rápida intensificação no Oceano Pacífico e aumenta a preocupação com períodos de chuva volumosa e temporais em Santa Catarina durante a primavera de 2026 e o verão de 2027.
Uma nova atualização do Centro de Previsões Climáticas dos Estados Unidos (CPC/NOAA), divulgada nesta quinta-feira (10), aponta que a temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 ficou 1,8°C acima da média durante agosto, patamar associado a um El Niño forte.
Com a continuidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, as projeções indicam probabilidade superior a 95% de o fenômeno alcançar intensidade muito forte, com anomalias superiores a 2°C, entre setembro e dezembro.
Segundo a atualização, existe ainda 75% de possibilidade de o episódio alcançar níveis históricos até o fim do ano.
Santa Catarina pode sentir impactos nas chuvas
Para Santa Catarina, a intensificação do El Niño merece atenção principalmente porque a primavera e o verão já são períodos naturalmente favoráveis à ocorrência de chuva e temporais.
Em anos de El Niño, há uma tendência de aumento da frequência de episódios de chuva no Sul do Brasil. Com um fenômeno de forte intensidade, cresce também a preocupação com acumulados elevados em curtos períodos, temporais, vendavais e outros eventos associados à instabilidade.
Os reflexos podem incluir maior risco de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, especialmente quando grandes volumes de chuva atingem regiões que já apresentam o solo encharcado.
Conforme o monitoramento apresentado, agosto já terminou com chuva acima do esperado em áreas catarinenses. Em parte da Grande Florianópolis, por exemplo, os volumes ficaram entre 160 e 200 milímetros acima da média.
A tendência apontada é de continuidade de um cenário favorável a episódios frequentes de chuva ao longo de setembro.
O que significa um El Niño muito forte?
A intensidade do El Niño é acompanhada principalmente a partir das anomalias de temperatura das águas superficiais do Pacífico Equatorial, especialmente na região Niño 3.4.
De forma simplificada, o fenômeno é classificado como fraco quando a anomalia fica entre 0,5°C e 1°C; moderado, entre 1°C e 1,5°C; forte, entre 1,5°C e 2°C; e muito forte quando supera 2°C.
A classificação, porém, não depende apenas da temperatura registrada em determinado dia. Os meteorologistas analisam a persistência do aquecimento e a resposta da atmosfera, incluindo alterações nos ventos, na formação de nuvens e na distribuição das chuvas.
Primavera e verão exigem acompanhamento
Com o El Niño avançando justamente para os meses mais quentes, a orientação é para que a população catarinense acompanhe as previsões e alertas meteorológicos.
A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina e a Epagri/Ciram mantêm o acompanhamento das condições oceânicas e atmosféricas e reforçam que as previsões são atualizadas constantemente.
A recomendação é acompanhar diariamente os avisos e boletins oficiais, principalmente diante da possibilidade de períodos de chuva persistente ou ocorrência de temporais durante a primavera de 2026 e o verão de 2027.





