Produtores, técnicos e profissionais ligados à fruticultura participaram, na tarde desta quinta-feira (13), no Centro de Eventos Paroquial de São Joaquim, do evento “Indução de Brotação de Gemas na Cultura da Macieira – Considerações Técnicas para o Ciclo 2026/2027”. O encontro marcou o início das discussões técnicas para a próxima safra da maçã e trouxe informações sobre manejo dos pomares, condições do inverno, quebra de dormência e perspectivas climáticas.
Em uma região onde a produção de maçã possui forte impacto econômico, o objetivo foi colocar à disposição dos produtores informações atualizadas para auxiliar nas decisões que começam a ser tomadas nos pomares.
Entre os assuntos abordados esteve a previsão climática para o ciclo 2026/2027 e as possíveis influências do El Niño sobre a fruticultura, apresentada por Marilene de Lima, da Epagri/Ciram. As informações sobre o comportamento esperado do clima são consideradas importantes para que produtores e responsáveis técnicos possam planejar as estratégias de manejo para os próximos meses.

Manejo da brotação exige atenção às condições climáticas

O pesquisador Fernando José Hawerroth, da Embrapa Uva e Vinho, apresentou orientações sobre os manejos de indução da brotação de gemas na cultura da macieira, considerando as condições observadas durante o inverno e o cenário climático previsto para o próximo ciclo.
Segundo Hawerroth, o inverno apresentou condições consideradas uniformes e de boa qualidade. A atenção agora se volta para a primavera, especialmente diante da dinâmica das chuvas previstas para o período.
“A palestra foi direcionada para produtores e técnicos da região de São Joaquim, abordando os manejos de indução de brotação de gemas para a cultura da maçã, levando em consideração o cenário climático previsto para esse próximo ciclo”, explicou.
Entre as estratégias apresentadas está o escalonamento das épocas de aplicação dos produtos utilizados no manejo, buscando reduzir os riscos caso ocorram períodos de chuva concentrada durante a florada.
O pesquisador também apresentou novas alternativas de indutores de brotação, permitindo que produtores e profissionais tenham acesso às informações mais recentes sobre as opções disponíveis para utilização nos pomares.
A intenção, segundo Hawerroth, é contribuir para uma boa brotação, floração e, consequentemente, favorecer as condições para uma adequada frutificação.
Evento marca início das decisões para a nova safra

Para o gerente regional da Epagri, Marlon Francisco Couto, o encontro já faz parte do planejamento realizado nos últimos anos e ocorre justamente em um momento decisivo para os produtores.
“É um evento importante porque representa o início da safra e o início da tomada de decisões dos produtores, começando pela análise dos dados do inverno para realizar a quebra de dormência”, destacou.
Segundo Marlon, além das orientações técnicas sobre os pomares, a programação busca relacionar as decisões de manejo às perspectivas meteorológicas.
Neste ano, a análise climática ganhou ainda mais espaço diante das discussões envolvendo o El Niño e seus possíveis reflexos durante os próximos meses.
“As dificuldades vão existir, mas as informações estão aí. Estamos disponibilizando essas informações através do evento”, ressaltou Marlon, destacando também a presença expressiva de produtores e profissionais, mesmo em uma tarde marcada pela chuva em São Joaquim.
Informações ajudam produtor a se preparar para 2026/2027
O presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Serra Catarinense (ASSEA), Marcelo Mariotti Machado, destacou que o encontro funciona como uma espécie de ponto de partida para a preparação da safra 2026/2027.
“Essa é a reunião que dá um start para a nossa próxima safra, 26/27. A gente está tentando trazer o máximo de informações para que o produtor se previna e se prepare para a próxima safra”, afirmou.
Para isso, foram reunidos pesquisadores e especialistas de diferentes instituições, levando ao público informações relacionadas tanto ao manejo da macieira quanto às condições climáticas.
Marcelo destacou ainda que o conhecimento apresentado durante o encontro não fica restrito aos profissionais presentes. A proposta é preparar também engenheiros agrônomos e técnicos que acompanham diariamente os produtores da região, permitindo que as orientações cheguem posteriormente às propriedades.
“A nossa intenção é sempre preparar tanto os nossos associados, que são pessoas que assistem os produtores, quanto trazer informações diretamente para o produtor”, explicou.
Segundo ele, a integração entre pesquisa, assistência técnica e produção permite antecipar dificuldades e buscar metodologias que facilitem o trabalho realizado no campo.
Maçã movimenta economia da Serra Catarinense
A realização do encontro ganha relevância especialmente pela importância da cultura da maçã para São Joaquim e para a Serra Catarinense. As decisões tomadas neste período, antes do avanço da brotação e da florada, têm reflexos sobre diferentes etapas do ciclo produtivo.
A troca de informações entre pesquisadores, engenheiros agrônomos, técnicos e produtores busca justamente transformar dados climáticos e resultados de pesquisas em decisões práticas dentro dos pomares.
O evento foi uma realização da ASSEA, Embrapa e Epagri, com apoio da Feagro-SC e patrocínio do Confea, CREA-SC, Mútua-SC e AMAP.
Texto e fotos: Wagner Urbano – NotiserraSC






