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Juliano da Silva Almeida foi condenado a 34 anos e quatro meses de prisão pelas mortes de Francisco Rodrigues Pereira, conhecido como Chicão, e Augusto Fernandes, o Beiçola. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (27), no Tribunal do Júri, em São Joaquim.

A sentença foi lida pelo juiz Ronaldo Denardi, após os jurados analisarem o caso envolvendo as duas mortes, registradas durante um incêndio em uma residência na localidade de Criúvas, no interior do município, em setembro de 2024.

O caso chamou atenção desde o início pelas circunstâncias em que os corpos das duas vítimas foram encontrados após o incêndio.

Após o julgamento, o NotiserraSC conversou com exclusividade com o promotor de Justiça Dr. Vinicius Silva Peixoto, que atuou no caso. Segundo ele, este foi um dos processos mais difíceis em que já trabalhou, principalmente pela ausência de uma evidência isolada que apontasse diretamente para a autoria.

“Foi um dos casos mais difíceis que eu já fiz, porque não existia nenhuma evidência clara. Existiu uma soma de fatores que, ao final, com todos levados em consideração, não deixava dúvidas de que ele era o autor do homicídio”, afirmou.

Posicionamento dos corpos foi um dos pontos analisados

Segundo o promotor, as próprias características da cena do incêndio foram importantes para a construção da acusação.

As vítimas foram encontradas em cômodos diferentes da residência, situação que levantou questionamentos durante a investigação sobre por que nenhuma delas teria conseguido deixar o imóvel durante o incêndio.

“A própria cena do incêndio indicava o posicionamento dos corpos. Eram corpos em salas diversas, um em um cômodo e outro em outro. Eram duas pessoas com mobilidade, que tinham plena condição de dar cinco ou seis passos e sair da casa. Tudo indicava que estavam incapacitadas antes do incêndio”, explicou o promotor.

De acordo com Dr. Vinicius, a investigação reuniu uma série de elementos que, analisados em conjunto, sustentaram a acusação apresentada ao Tribunal do Júri. Ele também afirmou que justificativas apresentadas pelo réu foram confrontadas durante o processo e consideradas falsas pela acusação.

Após a decisão dos jurados, o promotor destacou a resposta dada pela Justiça ao caso.

“Os jurados mostraram que não é assim que funciona. Para que ele pense no que fez, terá 34 anos para isso”, declarou.

Relembre o caso

O caso aconteceu na madrugada de 15 de setembro de 2024, na localidade de Criúvas, interior de São Joaquim. Um incêndio destruiu uma residência mista, com aproximadamente 100 metros quadrados, onde foram encontrados os corpos de Chicão e Beiçola.

O Corpo de Bombeiros não foi acionado enquanto o imóvel estava sendo consumido pelas chamas.

Por volta das 8h15 daquele dia, um homem compareceu ao quartel dos bombeiros de São Joaquim e informou que uma residência havia sido destruída pelo fogo e que duas pessoas estavam mortas no local.

Os bombeiros acionaram então as Polícias Militar e Científica e seguiram até a propriedade. No endereço, foi confirmado o incêndio e a área foi isolada para os trabalhos periciais.

A partir das circunstâncias encontradas no imóvel, o caso passou a ser investigado. As apurações posteriormente resultaram na acusação contra Juliano da Silva Almeida, que foi levado a julgamento nesta quinta-feira.

Ao final do júri, Juliano foi condenado a 34 anos e dois meses de prisão pelas mortes de Francisco Rodrigues Pereira (Chicão) e Augusto Fernandes (Beiçola).