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A goiaba serrana, também conhecida como feijoa, vem conquistando espaço na Serra Catarinense não apenas como fruta in natura, mas também pela diversidade de produtos que podem ser desenvolvidos a partir dela. Em São Joaquim, produtores têm apostado na cultura como alternativa de diversificação e geração de renda.

Na propriedade da família Costa, o aproveitamento da fruta vai além do convencional. Segundo Sabrina Dutra, a produção é totalmente artesanal, mas com foco em inovação e valorização da matéria-prima.

Foto: Wagner Urbano 

“Hoje a gente consegue aproveitar praticamente 100% da fruta. Antes, se consumia só a polpa e o restante era descartado. Agora utilizamos também o mesocarpo, aquela parte branca, para fazer compotas e até desidratar, ficando parecido com damasco. Também fazemos chips, geleias — inclusive com pétalas — e até testamos receitas diferentes, como maionese à base da fruta”, explica.

Sabrina destaca ainda que a ideia é incentivar o consumo e ampliar o uso da goiaba serrana na gastronomia regional.

“Minha visão é que os restaurantes da Serra Catarinense aproveitem mais essa riqueza que a gente tem aqui. Além disso, já existem parcerias para desenvolvimento de cosméticos e até cervejas com a fruta. Tudo ainda em pequena escala, de forma artesanal, mas com grande potencial.”

Foto: Wagner Urbano 

Para o produtor Adriano Costa, a aposta na goiaba serrana representa uma estratégia de diversificação dentro da propriedade, que já trabalha com a cultura da maçã.

“A gente acreditou nessa nova cultura. A goiaba hoje é o nosso ‘menino dos olhos’. Estamos aprendendo ano a ano, sempre em parceria com a Epagri, buscando melhorar a qualidade e resolver os desafios que surgem, para entregar uma fruta bonita e bem apresentada ao mercado”, afirma.

A produção, no entanto, ainda varia conforme as condições de cada safra. Adriano relata que já chegou a colher até 12 toneladas em um ano, mas também enfrentou perdas recentes devido a pragas.

“Esse ano tivemos um problema com uma mosca diferente, que acabou causando prejuízo. Mesmo assim, a expectativa é fechar a safra entre seis e oito toneladas.”

Foto: Wagner Urbano 

Outro diferencial da propriedade é o trabalho em família, considerado fundamental para o crescimento da atividade.

“Tudo é feito em conjunto. As ideias surgem, a gente testa, apresenta para amigos, avalia a aceitação. Esse envolvimento da família faz toda a diferença. Hoje, por exemplo, já conseguimos melhorar a qualidade dos frutos, com mais padrão e melhor apresentação.”

Além da fruta fresca, a família também investe em novos formatos de comercialização, como polpa fracionada para bares e restaurantes e caixas presente, agregando valor ao produto.

O avanço da cultura na região conta com o apoio da pesquisa científica. Na Estação Experimental da Epagri, em São Joaquim, estudos são desenvolvidos para melhorar a produtividade e a qualidade da goiaba serrana.

A pesquisadora Maíra Tomasoli explica que atualmente cerca de 20 produtores cultivam a fruta na Serra Catarinense, em uma área aproximada de 20 hectares.

“Nosso trabalho é integrar pesquisa, extensão rural e assistência técnica, incentivando o produtor a aumentar a produção e obter melhor rendimento”, destaca.

Entre as ações desenvolvidas estão técnicas de propagação, como enxertia e estaquia, que garantem pomares mais uniformes, além de um banco genético com cerca de 300 acessos da cultura.

“Esse material foi reunido desde as décadas de 80 e 90, a partir das melhores seleções dos próprios produtores. Hoje, ele é a base do nosso programa de melhoramento genético”, explica.

Os estudos avaliam características como resistência a doenças, produtividade, rendimento de polpa e porte das plantas. Já existem seleções com mais de 30% de rendimento de polpa, o que aumenta o aproveitamento da fruta.

“O objetivo é desenvolver cultivares mais estáveis, produtivas e rentáveis para o produtor”, completa.

Entre as variedades já lançadas pela Epagri estão as cultivares Alcântara, Helena, Matos, Nonante e Pierre, além do porta-enxerto Jade, utilizado na propagação.

Com o trabalho conjunto entre produtores, agroindústria artesanal e pesquisa, a goiaba serrana se consolida como uma cultura promissora na Serra Catarinense, com potencial para expansão e valorização no mercado.

Foto: Wagner Urbano 

Foto: Wagner Urbano