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Fundado em 1926, o primeiro grupo escolar de São Joaquim, denominado Professor Manoel Cruz, representou um marco na organização do ensino no município. A construção do prédio levou cerca de dois anos para ser concluída e se destacou pelas características arquitetônicas adaptadas ao clima rigoroso da Serra Catarinense.

Com paredes de pedra e tijolos feitos manualmente, o edifício contava com seis amplas salas de aula, todas equipadas com lareiras para amenizar o frio intenso típico da região. A estrutura incluía ainda gabinete administrativo, portaria e corredores internos, enquanto os sanitários ficavam separados, na parte posterior do terreno.

Projetado em formato de “U”, o prédio possuía um pátio interno calçado, cercado por uma alta muralha, além de áreas externas que ocupavam toda a quadra. Esses espaços eram delimitados por estruturas de madeira fixadas em pilares de pedra, formando um dos conjuntos escolares mais característicos da época.

Durante o governo de Irineu Bornhausen, a escola passou por ampliação, recebendo novas salas de aula, cozinha e banheiros modernizados. O pátio interno também foi aterrado e nivelado, acompanhando as demais estruturas.

O primeiro diretor da instituição foi Taciano Barreto do Nascimento, e o corpo docente inicial contou com professores que ajudaram a consolidar o ensino local, entre eles José Jaime Vieira Rodrigues, Godolfim Nunes de Souza, Maria Cândida Córdova, Jacinto Rodrigues Lima e Cora Batalha da Silveira.

Na área onde funcionava o grupo escolar, na Praça Cesário Amarante, existia ainda, no início do século XX, uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário, próxima a um antigo cemitério, compondo o cenário histórico da região.

Um legado marcado pela dedicação

Apesar das poucas informações disponíveis, registros indicam que o professor Manoel Cruz atuou como educador no litoral catarinense e, posteriormente, como inspetor escolar em São Joaquim. Para desempenhar sua função, percorria longas distâncias a cavalo, enfrentando as dificuldades da época para acompanhar o funcionamento das escolas da região.

Demolição do prédio gerou comoção

Na década de 1970, a demolição do antigo prédio do grupo escolar marcou um dos capítulos mais sensíveis da história educacional do município. A decisão ocorreu após a construção de uma nova sede, nas proximidades do cemitério municipal, e gerou forte reação da comunidade.

Ex-alunos, professores e moradores lamentaram a perda de um espaço que simbolizava não apenas a educação, mas também a convivência e a formação de gerações de joaquinenses. Entre os motivos para a demolição estavam o espaço limitado, a localização em área de intenso movimento e as condições estruturais já comprometidas.

O crescimento do número de alunos também contribuiu para a decisão. As dez salas existentes já não comportavam a demanda, levando à adoção de três turnos diários reduzidos, o que impactava a qualidade do ensino.

Mesmo com o desgaste do madeiramento e de outras estruturas, as paredes de pedra permaneciam sólidas, o que, segundo relatos, permitiria uma possível restauração — alternativa que não foi levada adiante.

A demolição encerrou um importante ciclo da educação em São Joaquim. Atualmente, o Colégio Manoel Cruz está localizado na Rua Manoel Rodrigues do Nascimento, ao lado do Estádio Municipal José Leão Dutra, contando com novas estruturas e ampliações ao longo dos anos.

A instituição segue formando gerações e mantém vivo o legado de um dos primeiros espaços de ensino estruturado da Serra Catarinense.