Foto: Nubia Garcia/CL MAIS

 

Por Núbia Garcia/CL Mais

Moradores de Londrina, no Paraná, o casal Elenita Leite Freitas, 54 anos, e Volmar Pires Freitas, 54 anos, estava de férias no Rio Grande do Sul, na semana passada, visitando a família. Na volta, planejavam passar pelo interior de Santa Catarina, com intuito de conhecer a Serra do Rio do Rastro. Assim, chegaram a São Joaquim exatamente no fim de semana em que havia previsão de neve.

 

Quando chegaram na cidade, a ideia inicial era passear, conhecer os pontos turísticos e ir embora. Porém, eles mudaram os planos e decidiram dormir em São Joaquim mesmo. A dificuldade foi encontrar um hotel, devido ao grande volume de turistas na cidade por estes dias. A solução para a falta de hotel estava em uma hospedagem alternativa, que eles encontraram em um site de reservas.

 

“No começo, queríamos vir pra cá e não íamos nem posar. Decidimos ficar e gostamos tanto, que acabamos passando duas noites. Foi uma experiência única”, conta Elenita. “Foi a primeira vez que ficamos em uma hospedagem alternativa e foi muito aconchegante, nos sentimos como se estivéssemos em casa”, complementa Volmar.

O casal ficou hospedado na casa de Massa, como é conhecido Moacir Souza, 55 anos. Gerente de uma loja de pneus, há nove anos ele transformou sua casa em uma hospedagem alternativa, que leva o nome de Pousada Alternativa Cravo e Canela. “Tenho disponíveis três quartos, mas nos finais de semana em que a procura é muito grande, vou para casa de familiares e ofereço também o meu quarto”, conta.

Na pousada de Massa, os hóspedes têm à sua disposição o quarto completo, com lençol térmico, televisão e wi-fi, dois banheiros compartilhados, churrasqueira e área de lazer. A pousada serve apenas café da manhã, mas os hóspedes têm liberdade para usar a cozinha e preparar suas próprias refeições. Massa sempre gostou de jogar futebol e, com frequência, viajava com os amigos para Criciúma com este propósito. A ideia de transformar sua casa em uma hospedagem alternativa surgiu no dia de uma destas viagens, nove anos atrás.

Massa estava com os amigos próximo ao Banco do Brasil, esperando o ônibus que os levaria para o Sul do Estado, quando avistou um casal dormindo na caçamba de uma camionete, em um colchão, a espera da neve. “O que mais me chamou a atenção foi que a mulher estava com os pés para fora da carroceria. O termômetro marcava 6ºC negativos. Foi quando pensei que eu deveria fazer alguma coisa para ajudar estas pessoas que vêm para cá no inverno. Os turistas precisam de um abrigo, porque a maioria não têm ideia do quão desumano é o frio na Serra e vêm despreparados”, conta.

Aconchego

Keulli Velho, 38 anos, é sócia de Massa na pousada. Ela conta que os meses de maior procura pelos turistas são entre maio e julho – especialmente no período de férias escolares, porém, no último verão muitos turistas subiram a Serra e a hospedaria ficou lotada em quase todos os finais de semana. “A hospedagem alternativa é um lugar onde há muita troca de experiência, porque os hóspedes ficam bastante próximos. Alguns se afeiçoam tanto, que até esquecem de sair porque ficam conversando e trocando ideias”, avalia.

Nestes nove anos, os turistas que vieram de mais longe para se hospedar com Massa e Keulli eram de Hamburgo, na Alemanha. Eles passaram uma semana na cidade e trouxeram um intérprete para auxiliar. A decoração da casa já é pensada para agradar quem vem de fora: além de ter elementos da cultura local (como uma pinha na mesa de centro), os proprietários deixam livros e revistas com informações da Serra à disposição.

“A gente tenta fazer algo informal, para que as pessoas se sintam acolhidas e próximos a nós. Quando saem passear, tratamos como se fossem nossos amigos, nos colocamos a disposição para auxiliar caso haja qualquer imprevisto. Por isso o calor humano acaba sendo uma característica da hospedagem alternativa”, completa Keulli.

Cresce o número de residências que oferecem lugar para pernoite

A proximidade com a cultura local, troca de experiência entre usuários, além do preço – que é expressivamente mais em conta que hospedagens convencionais, são algumas características das hospedagens alternativas.

De acordo com a secretária de Turismo de São Joaquim, Adriana Schlichting de Martin, com a previsão de neve para o fim de semana que passou, a procura dos turistas por leitos cresceu muito. Com a grande demanda, aumentou também o número de hospedagens alternativas. Até sexta-feira (5), número de hospedagens alternativas cadastradas junto à secretaria saltou das habituais 400 para cerca de mil.

A auxiliar administrativo Taíse Melo, 28 anos, mora com o noivo próximo à prefeitura e viu na grande demanda uma oportunidade de incrementar sua renda. Neste ano, ela decidiu cadastrar-se junto a secretaria e também está oferecendo um quarto de sua casa como hospedagem alternativa. “Além da oportunidade de ganhar dinheiro extra, abrir a minha casa também é uma forma de oferecer um local confortável para as pessoas que vêm visitar São Joaquim”, completa.