[dropcap]N[/dropcap]os últimos dias de março, a pandemia do novo coronavírus provocou receio dos importadores em comprar frutas brasileiras (dentre elas, a maçã), tendo em vista as incertezas quanto à demanda internacional e aos desafios logísticos. Na Índia, um dos países consumidores da maçã nacional, por exemplo, foi decretado lockdown, ou seja, suspensão total das atividades e da circulação de pessoas, a fim de reduzir a disseminação da covid-19, de acordo com diversos portais de notícias.

Entraves também têm sido observados em Bangladesh e em países da Europa, que são os maiores compradores da maçã brasileira. No primeiro país, as restrições de movimentação foram até menos severas, mas isso não impediu o congestionamento no Porto de Chattogram, segundo informações do NewAged Bangladesh. Na Europa, por sua vez, o cenário varia para cada país e produto, visto que o abastecimento não está sendo uniforme.

Vale destacar, contudo, que tais desafios não refletiram em queda das exportações de maçãs brasileiras até março. Pelo contrário: o volume embarcado no primeiro trimestre deste ano disparou – muito por influência dos calibres médio-miúdos, que impulsionaram os envios a Bangladesh. De acordo com a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), os envios de maçã somaram 16 mil toneladas no período (sendo, deste total, 15 mil toneladas concentradas em março), alta de 56% frente ao primeiro trimestre de 2019. A receita, por sua vez, totalizou US$ 11 milhões (FOB), crescimento de 39% na mesma comparação. Os principais compradores no período foram: Bangladesh (absorveu 48% do volume embarcado), Índia (26%) e Rússia (11%).

PERSPECTIVAS – Se por um lado o volume colhido na campanha deste ano deve ser menor, o que poderia restringir a exportação, por outro, o perfil da maçã (calibre médio-miúdo e ótimo shelf life) está bastante adequado para boa parte dos mercados compradores. No melhor dos cenários, bons envios podem aliviar a oferta doméstica e garantir cotações mais atrativas. Porém, diante das incertezas mercadológicas causadas pela pandemia, ainda é cedo para estimar resultados para os próximos meses.

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Cepea/Hortifruti