A combinação entre altitude, temperaturas baixas e condições climáticas favoráveis faz da região de São Joaquim, na Serra Catarinense, um dos principais polos de produção de maçã do Brasil. Entre as variedades cultivadas, a Fuji se destaca pela qualidade, sabor e características desenvolvidas nos pomares da região.
A história do cultivo da maçã em São Joaquim ganhou força na década de 1970, quando as primeiras experiências com a variedade Fuji começaram a apresentar resultados positivos. A produtora Sheila Zanette explica que a introdução da fruta na região teve participação importante de Kenji Furusawa, que trouxe as primeiras mudas para avaliar a adaptação às condições locais.
“Kenji Furusawa trouxe as primeiras mudas para cá e elas foram plantadas para verificar a capacidade de cultivo. Aqui tínhamos condições de frio e altitude semelhantes às do Japão. Deu muito certo, porque hoje a maçã Fuji é o nosso carro-chefe”, destaca Sheila.
Com o passar das décadas, a produção de maçãs transformou a realidade econômica de São Joaquim, gerando empregos, renda e oportunidades para milhares de famílias ligadas à fruticultura.
Atualmente, o município é reconhecido como a Capital Nacional da Maçã e ocupa posição de destaque na produção brasileira da fruta.
Frio e altitude garantem características diferenciadas
A região de São Joaquim responde por aproximadamente 66% da produção nacional da variedade Fuji, segundo os dados apresentados pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Entre os fatores que contribuem para a qualidade da fruta estão as condições climáticas dos campos de altitude, especialmente as baixas temperaturas registradas durante o inverno.
Para atender às características territoriais da Denominação de Origem, os pomares devem estar localizados em áreas com altitude mínima de 1.100 metros e apresentar condições específicas de acúmulo de frio, fundamentais para o desenvolvimento das macieiras.
Essas particularidades contribuem para características como coloração, textura, equilíbrio entre doçura e acidez e qualidade dos frutos.
Cuidados continuam depois da colheita
Além das condições naturais, o trabalho realizado pelos produtores e pelas cooperativas é fundamental para garantir que a maçã chegue ao consumidor mantendo suas características.
Anderson Zanette Valtrick, que atua em uma cooperativa da região, explica que o controle de qualidade começa ainda nos pomares e segue por todas as etapas de produção.
“O processo de qualidade da maçã Fuji começa no campo, com o ponto de colheita, transporte e os cuidados para evitar danos mecânicos, até a chegada à cooperativa, onde passa pelo nosso controle de qualidade”, explica Anderson.
O processo envolve desde a escolha do momento ideal da colheita até o transporte, a seleção, a classificação e o armazenamento das frutas.
Esses cuidados são importantes para preservar a qualidade da maçã e garantir sua comercialização em diferentes mercados.
Denominação de Origem valoriza a Fuji de São Joaquim
A relação entre as características da fruta e as condições naturais da Serra Catarinense garantiu à maçã Fuji da região de São Joaquim o reconhecimento de Indicação Geográfica, na modalidade Denominação de Origem, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O selo reconhece a ligação entre o produto e seu território, valorizando as características específicas da maçã produzida na região.
Além de proteger a denominação geográfica, o reconhecimento contribui para agregar valor à produção e fortalecer a identidade da fruticultura serrana no mercado nacional.
Produção de maçã também é patrimônio cultural catarinense
A importância da atividade para a história e a economia de Santa Catarina também recebeu reconhecimento por meio de uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa, que declarou a produção e a colheita da maçã catarinense integrantes do patrimônio cultural do estado.
A medida reconhece a relevância da atividade agrícola, que ajudou a transformar municípios da Serra Catarinense e consolidou uma tradição transmitida entre gerações de produtores.
Além da comercialização da fruta in natura, a maçã também movimenta outros setores da economia regional, sendo utilizada na fabricação de sucos, doces, tortas e diversos produtos gastronômicos.
Em São Joaquim, a cultura da maçã representa muito mais do que uma atividade agrícola. É parte da história, da identidade e do desenvolvimento econômico de uma região que encontrou no frio e na altitude as condições ideais para produzir uma fruta reconhecida pela qualidade.
Texto: Wagner Urbano – NotiserraSC
Fonte: Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc)





