Pessoas ficam abrigadas na rodoviária esperando empregos. Foto: Wagner Urbano

[dropcap]C[/dropcap]om a safra da maçã iniciando, muitas pessoas acabam chegando a São Joaquim com o intuito de trabalhar na colheita da fruta, onde aumenta consideravelmente a oferta de trabalho no município.

Local na rodoviária onde algumas pessoas estão alojadas. Foto: Wagner Urbano

Com esse pensamento, várias pessoas vêm para a cidade e acabam ficando nas ruas, até que a colheita inicie em meados de Fevereiro. Vale lembrar que São Joaquim é uma cidade fria, mesmo no verão pode ter temperaturas abaixo dos 10ºC.

Em busca de relatos destes trabalhadores, a reportagem do NotiSerraSC ouviu com exclusividade algumas histórias, onde pessoas vem de várias partes do país em busca de oportunidade de emprego. Três pessoas relataram suas vidas, em de Manaus, outro de São Paulo e um joaquinense, que vive nas ruas da cidade em busca de emprego na maçã.

Dos vários homens e até mulheres que estão em busca de emprego, o senhor Dimas Chaves, de 49 anos, natural de Suzano, no estado de São Paulo, revelou que veio pela segunda vez para São Joaquim, que já está esperando uma vaga de trabalho em um pomar na localidade do Boava, mas está esperando o início da colheita nas ruas por escolha própria.

“Eu poderia estar lá no Boava agora, só não estou lá porque está faltando algumas coisas no alojamento, dai eu preferi ficar aqui, lá não tem ninguém para eu conversar, por isso preferi vim para cá, estou aqui por escolha própria” afirma Dimas, que espera a colheita da maçã na concha acústica na Praça de São Joaquim.

Já para Airton Vieira Luciano, que morou em cidades do Rio Grande do Sul, mas é natural de São Joaquim, mora na rua e espera o início da colheita para trabalhar. “Já faz alguns dias que estou aqui, não me dou com a família por problemas particulares, por isso escolhi estar aqui, também espero a safra para conseguir algum dinheiro” conta Airton.

Segurança no município

Foi realizada no  Auditório do Sindicato Rural de São Joaquim uma reunião de sensibilização com os produtores rurais para o Cadastramento da Safra Cidadã. O objetivo do cadastramento é conhecer os trabalhadores que atuam na safra da maçã, como por exemplo, de onde vem, como chegam ao município e através de quem. Atualmente São Joaquim não possui dados com o número de pessoas que estão trabalhando na safra,  portanto é necessário fazer um banco de dados, com números precisos, para que o município esteja preparado para os serviços nas áreas da saúde, educação e no âmbito social, além de auxiliar o trabalho da segurança pública.

O cadastramento Safra Cidadã surgiu após as reuniões do Programa Crescendo Juntos, do Governo do Estado, que apontou a necessidade de organização na identificação dos trabalhadores temporários na área da fruticultura. O cadastramento é uma ação realizada pela Associação dos Produtores de Maçã de Santa Catarina – AMAP, com o apoio da Agência de Desenvolvimento Regional ADR São Joaquim, Prefeitura, Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil e Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Assistência Social

Em contato com a secretaria de Assistência Social, através da secretaria Marilda dos Santos, onde informou que a equipe vem monitorando e realizando visitas nos locais onde se encontraram essas pessoas,  no sentido de ver se já tinham o cadastro na AMAP, para poder acessar alguns benefícios que a secretaria oferta.

“Dentro desses benefícios, tem alimentação, assistência, algum agasalho e cobertores, é um fato que me deixa triste, são pessoas de bem, vieram para trabalhar, onde me relataram que não são usuários de drogas e de bebidas” comenta Marilda.

O município de São Joaquim de pequeno porte 2, e infelizmente a cidade não tem financiamento para albergar essas pessoas que vem de fora, ainda mais com essa faixa de idade de mercado de trabalho e pessoas saldáveis. Ainda segundo a secretária, um processo de licitação está aberto para acolher as pessoas que estão de passagem em pousadas e hospedarias.

“Nos até ofertamos passagem de volta para essas pessoas, mas elas se recusaram, e nós também não podemos tirar elas dos locais, pois elas têm a liberdade de ir e vir” explica Marilda.