Matéria em áudio: Deputados estaduais discutem a possibilidade de revogar lei que garantiu título de cidadão catarinense ao ex-presidente Lula

Repórter: Patrícia Gomes – RNA/Florianópolis

[dropcap]O[/dropcap] projeto de reversão da cidadania catarinense concedida ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a sua prisão no âmbito da operação Lava Jato catalisaram os debates da tarde desta terça-feira (10) da Assembleia Legislativa.

“Esperava que fosse votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto que revoga o título de cidadão honorário ao ex-presidente Lula, hoje condenado e preso. Se uniu ao Sarney, o grande fantasma, a Renan Calheiros, Collor, todos os corruptos que havia ele chamou para dividir o governo”, afirmou Maurício Eskudlark (PR), vice-líder do governo.

Para Eskudlark, Lula teve a oportunidade de mudar a história do Brasil e não o fez. “As obras superfaturadas na Venezuela, Cuba e em outros países poderiam ter sido feitas em Santa Catarina, com a duplicação a BR-470, da BR-280 e da BR-282, por isso vejo constrangimento do cidadão ao saber que aquele preso tem o título de cidadão catarinense”, ponderou o deputado.

Dirceu Dresch (PT) e Luciane Carminatti (PT) reagiram. “Lamento ouvir isso de uma figura que já foi diretor-geral da Polícia Civil. Querem tirar Lula da eleição, mas lutei quase 40 anos pela justiça, queremos um Judiciário que cumpra a Constituição, tem mais duas instâncias para recursos, o STJ e o STF para discutir o mérito. Infelizmente no Brasil pós-ditadura temos o primeiro presidente condenado e preso político”, argumentou Dresch.

“No dia 3 de abril, véspera do julgamento do habeas corpus no STF, o general Villas Bôas, comandante do Exército, publicou uma nota com o objetivo de pressionar o STF, isso é extremamente grave para a democracia”, alertou Carminatti, acrescentando que no outro dia (4), por 6 votos a 5, o STF negou o habeas corpus, e no dia seguinte (5) o TRF 4 autorizou a prisão do ex-presidente.

Carminatti concluiu citando uma frase do ministro Ricardo Lewandowski proferida durante o julgamento do habeas corpus de Lula. “Este dia entrará para a história como aquele em que esta Corte decidiu de maneira clara e frontal contra a lei maior”, repetiu a representante de Chapecó.

Texto: ALESC