Tudo que é vivo possui um ritmo próprio. Das sementes ocultas na terra, até o coração pulsante dentro de você. Se esse ritmo perfeito e natural é quebrado a vida está comprometida. Ritmo é coisa pessoal, varia ao longo do dia, do mês, do ano; Em tempos de energia baixa e alta, ou seja, haverá momentos que sua energia vital vai estar para baixo, assim como as plantas na lua minguante, com a seiva toda na raiz, sem potência para gerar frutos, em outros tempos adentramos em ciclos altos, energia vital em aumento e estável, assim como as plantas com a sua seiva correndo nas folhas, damos mais frutos.

Não há um ritmo ideal, cada tempo de nosso corpo e mente, é precioso, assim como o acordar e o dormir, o sorrir e o chorar, não somos máquinas que produzem o tempo todo, é   n e c e s s  á r i o   recordarmos disso e   p e r d o a r   as fraquezas desse ser que somos. É necessário abrir os olhos pela manhã e perceber o peso desse corpo que você ocupa, perceber se está mais aberto ou fechado para o mundo, perceber de modo geral como as coisas estão fluindo em sua vida: Há coisas novas chegando? Há coisas se desfazendo? Há um marasmo e nada anda acontecendo?

Feche os olhos agora, respire e responda: Como estou me sentindo hoje? 

O que posso fazer para deixar meu corpo ou minha cabeça melhor? 

O que eu preciso hoje?

A questão aqui é  l u c i d e z. Tenha noção dos seus processos e não lute contra, se anda difícil interagir com as pessoas, se recolha, se o corpo está cansado descanse, se acabou deixe ir embora e abra espaço para o novo. “Karol não é assim tão fácil” Claro que não! Mas é necessário tentar, não lavar a louça, não responder todas as mensagens, não dar conta de tudo, ir deitar um pouco mais cedo ou acordar um pouco mais tarde. Conceda pequenas  g e n t i l e z a s   a você, mais uma vez eu digo, se nem você respeita o seu ritmo, não espere que o mundo o faça. Ouça sua mente, ouça seu corpo e não seja seu inimigo:

Se nos limitássemos a prestar-lhe atenção e a segui-lo, raramente ficaríamos doentes

 – Heyoan, livro Mãos de Luz.

Outro ponto  m u i t o  importante é perceber com o que você anda alimentando seu ser. Somos seres extremamente sensoriais! Reativos a tudo, sons, imagens, cheiros, não à toa, ao ver um filme por vezes sentimos tamanha emoção que chegamos a chorar, não estamos tristes, mas houve uma simulação de sentimento. Perceba o poder das mídias que consumimos, somos bombardeados de informação dia e noite, e qual é carga que você vem recebendo? Olhe suas redes sociais, suas séries, sua playlist e perceba qual é a vibração que você anda induzindo seu corpo e sua mente a sentir. Consumo? Muitas lojinhas, resenhas de produtos, pessoas com vidas surreais, tendem a nos fazer vibrar na escassez, parece sempre está faltando algo. Separação? Muita música sobre amor não correspondido, sobre abandono, saudade, tendem a nos causar um estado melancólico, mas tristeza que não se sabe de onde. Medo? Filmes com extrema agressão, dor, sons abruptos, fantasmagóricos, ou de guerra, faz o nosso corpo provar de doses cavalares de adrenalina, submetemos nosso corpo a postura de ataque e medo, isso nos deixa cansado e tensos depois que o efeito passa.

Os exemplos acima são apenas para te dar consciência da reação do teu corpo e da tua mente, a tudo que você coloca para ver e ouvir. Não é errado consumir tais mídias, eu mesmo consumo um pouco de cada, mas quando estamos falando de ritmo de vida, do movimento dos nossos seres, é importante notar que por vezes nós mesmo somos causadores de certos sentimentos pesados, de uma baixa energia, de um incômodo que passa nunca, nós nos intoxicamos e queremos que as doses de veneno diárias, simplesmente não nos abale. Tenha  c o n s c i ê n c i a  da sensibilidade desse  m i l a g r e  que é o seu cérebro, e da  p o t ê n c i a   do teu espírito que multiplica tudo aquilo que recebe.

O que você vem se dando?

Karoline Farias

Terapeuta em Espaço Saber Ancestral

Manoel Joaquim Pinto – Centro, São Joaquim.