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NOTISERRA SC, SÃO JOAQUIM
21/01/2026 09h59 ⟳ Atualizada em 21/01/2026 às 09h59

Uma articulação estratégica junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) garantiu uma conquista histórica para a fruticultura catarinense. A partir de agora, as inspeções fitossanitárias para exportação de maçãs passam a ser realizadas diretamente na origem da produção, em Santa Catarina, eliminando a necessidade de vistoria apenas nos portos, como ocorria até então.

A definição ocorreu após reunião realizada na tarde de terça-feira, 22 de janeiro de 2026, no MAPA, com a participação de Antônio Marcos Pagani de Souza, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC, José Zeferino Pedroso, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), e Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM). O grupo dialogou com o superintendente Francisco Powell, responsável por viabilizar o novo modelo de inspeção.

Segundo Antônio Marcos Pagani de Souza, a mudança corrige uma desigualdade histórica enfrentada pelos produtores catarinenses. Até então, Paraná e Rio Grande do Sul já realizavam inspeções na origem, enquanto Santa Catarina dependia da fiscalização nos portos, o que gerava custos adicionais e prejuízos logísticos.

“Santa Catarina acabava pagando mais caro para exportar. Os contêineres permaneciam mais tempo nos portos aguardando inspeção e liberação, gerando custos elevados com diárias e atrasos, além de comprometer a qualidade da fruta, que levava mais tempo para chegar ao destino final”, destacou Pagani.

Com o novo procedimento, as inspeções fitossanitárias passam a ocorrer diretamente nos pomares e centrais de armazenamento catarinenses, garantindo mais agilidade, redução de custos e preservação da qualidade da maçã.

Impactos diretos para produtores e economia

A medida traz reflexos imediatos para toda a cadeia produtiva:

  • Redução de custos logísticos: menor permanência de contêineres nos portos, com corte significativo em despesas de armazenagem e taxas de demurrage, que podem chegar a milhares de reais por dia.

  • Mais qualidade da fruta: com menos tempo em trânsito e espera, as maçãs chegam mais frescas aos mercados internacionais, atendendo padrões rigorosos de países importadores, especialmente da Europa e da Ásia.

  • Maior competitividade: exportadores catarinenses passam a competir em igualdade com Paraná e Rio Grande do Sul. A projeção é de um aumento de até 50% nas exportações via portos catarinenses.

  • Fortalecimento da economia estadual: atualmente, apenas cerca de 20% da produção catarinense era exportada pelos portos do estado, enquanto 80% saía por portos do PR e RS. Com a mudança, a expectativa é reter mais receitas em Santa Catarina, com impacto estimado em R$ 100 milhões anuais circulando na economia local.

A conquista beneficia diretamente regiões produtoras como São Joaquim e Fraiburgo, polos nacionais da maçã, fortalecendo desde pomares familiares até grandes agroindústrias.

Para o setor, a decisão representa não apenas um avanço logístico, mas um marco estratégico que consolida Santa Catarina como protagonista na exportação de maçãs, agregando valor, competitividade e desenvolvimento econômico ao estado.

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