Villa Francioni celebra 25 anos e reforça legado pioneiro dos vinhos de altitude na Serra Catarinense

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Há 25 anos, produzir vinhos finos de qualidade em uma região localizada a mais de 1,2 mil metros de altitude ainda era uma aposta ousada. Em 2026, a Villa Francioni, em São Joaquim, celebra um quarto de século de uma trajetória ligada ao desenvolvimento dos vinhos de altitude, do enoturismo e da cultura na Serra Catarinense.

Fundada em 21 de setembro de 2001, a vinícola nasceu do projeto idealizado pelo empresário Dilor Freitas, que percorreu importantes regiões vitivinícolas do mundo em busca de conhecimento e tecnologias que pudessem ser aplicadas às condições encontradas na Serra Catarinense.

Dilor faleceu em 2004, antes mesmo do lançamento dos primeiros vinhos. O projeto foi então assumido pelos filhos André, Adriana e Daniela Freitas, que deram continuidade ao sonho iniciado pelo pai.

Um projeto que ajudou a abrir caminho para os vinhos de altitude

Quando a Villa Francioni iniciou sua trajetória, São Joaquim ainda não possuía a estrutura turística encontrada atualmente e a produção de vinhos finos em altitude era uma atividade praticamente desconhecida na região.

Primeira vinícola a se instalar na Serra Catarinense, a Villa Francioni também apostou desde o início no enoturismo, aliando vinho, arquitetura, gastronomia e arte.

Atualmente, a vinícola possui uma estrutura de mais de 4,4 mil metros quadrados e capacidade de produção de até 300 mil garrafas por ano. Entre as variedades cultivadas e utilizadas estão Sangiovese, Nebbiolo, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Malbec, Syrah, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Ao longo da trajetória, os rótulos da casa conquistaram premiações nacionais e internacionais. A vinícola também se consolidou como atração turística, recebendo milhares de visitantes anualmente.

Família celebra continuidade do sonho de Dilor Freitas

Para Daniela Freitas, atual presidente do Conselho de Administração da Villa Francioni, chegar aos 25 anos representa superar uma trajetória de desafios iniciada quando a produção de vinhos de altitude ainda buscava espaço no mercado.

“São 25 anos, um quarto de século, com muita luta, muito trabalho e muita dedicação. É um sonho que a gente vê realizado hoje”, afirmou.

Daniela lembrou que a família assumiu o empreendimento após a morte do fundador, justamente em um período em que ainda não havia tradição consolidada na produção de vinhos finos na região.

Segundo ela, o projeto idealizado pelo pai já nasceu com uma forte preocupação com o turismo. A estrutura da vinícola foi planejada com mais de quatro mil metros quadrados, diferentes níveis de produção e uma galeria de arte como um dos diferenciais para atrair turistas e apreciadores de vinho.

“Conseguimos ultrapassar essa barreira dos primeiros anos, das dificuldades que enfrentamos com a entrada de um rótulo novo e de uma marca nova no mercado. O vinho foi ficando cada vez melhor, conquistando medalhas e reconhecimento dessa qualidade. Isso nos traz um sentimento de vitória”, destacou Daniela.

“Ele foi um visionário”, destaca Adriana Freitas

Para Adriana Freitas, os 25 anos também representam a preservação do legado deixado pelo pai.

“É um momento muito especial. Sendo a vinícola pioneira da Serra Catarinense, nos enche de muito orgulho, porque o pai foi um visionário. Ele chegou aqui, se apaixonou pela terra, se apaixonou pelas pessoas e viu o grande potencial que esses frutos poderiam dar”, afirmou.

Adriana também ressaltou a ligação da família com a Serra Catarinense e o crescimento do enoturismo ao longo dessas duas décadas e meia.

Arte também faz parte dos 25 anos

As comemorações ganharam um capítulo especial neste sábado, 19 de setembro, quando a Villa Francioni recebeu jornalistas para uma programação comemorativa, com visita à estrutura, almoço, apresentação do vinho especial dos 25 anos e lançamento de uma nova exposição na galeria de arte.

A exposição reúne 90 peças de Siron Franco, artista de reconhecimento nacional e internacional que possui uma relação histórica com o projeto. Uma das obras foi escolhida para estampar o rótulo comemorativo dos 25 anos da Villa Francioni.

Para Edson Bush Machado, curador de arte da Villa Francioni, manter a presença da arte dentro da vinícola representa também uma responsabilidade cultural.

Segundo ele, o espaço busca promover um diálogo entre vinho, arte e cultura, trazendo exposições, música e lançamentos literários para a Serra Catarinense.

“É orgulho e responsabilidade trazer uma exposição de um artista com nome nacional e internacional para esse espaço maravilhoso que é uma vinícola, trazendo arte e cultura em um diálogo muito importante para a comunidade da Serra Catarinense e de Santa Catarina”, destacou.

25 anos de uma história ligada à Serra Catarinense

A programação de aniversário seguirá ao longo de 2026 e 2027. Entre as atividades previstas está uma edição especial da Corrida do Vinhedo, no dia 8 de novembro, além de um jantar harmonizado na Casa d’Agronômica, em Florianópolis, programado para dezembro.

Um quarto de século depois da aposta feita por Dilor Freitas, a Villa Francioni chega aos 25 anos celebrando não apenas a própria trajetória, mas uma transformação que ajudou a impulsionar: a consolidação de São Joaquim e da Serra Catarinense como território dos vinhos de altitude e destino de enoturismo.

Texto: Wagner Urbano/NotiserraSC