Enquanto grande parte do Brasil reduz o ritmo durante o inverno, a Serra Catarinense vive um cenário oposto. Com hotéis lotados, restaurantes cheios, aeroportos movimentados e recordes de gastos por visitante, a região transformou o frio em um dos seus principais produtos turísticos, impulsionando a economia e consolidando-se como um dos destinos de inverno mais procurados do país.
Os números comprovam esse crescimento. De acordo com pesquisa da Fecomércio-SC, a Serra Catarinense registrou, em 2025, o maior gasto médio por grupo de turistas desde o início da série histórica, em 2017. O valor passou de R$ 2.824 para R$ 3.550 por grupo de visitantes, refletindo o fortalecimento do setor e o aumento do poder de consumo dos turistas que escolhem a região.
Turistas de todo o Brasil
A participação de visitantes de outros estados também aumentou. Em 2025, eles representaram 39,4% do público, contra 37% no ano anterior. A maioria dos turistas vem de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
O perfil do visitante também mudou. A Serra Catarinense passou a atrair um público com maior poder aquisitivo, principalmente nas faixas de renda entre cinco e oito salários mínimos, além daqueles com renda entre dois e cinco salários mínimos.
Durante a Festa Nacional do Pinhão de 2026, em Lages, esse movimento ficou evidente. Cerca de 60% dos ingressos para os shows nacionais foram adquiridos por pessoas de fora do município, enquanto mais de 50 excursões de diferentes estados participaram do evento.
Hotéis operam com alta ocupação
O crescimento do turismo refletiu diretamente na rede hoteleira. Em Bom Jardim da Serra, o município passou de destino pouco conhecido para contar com mais de 80 meios de hospedagem. A cidade também conquistou o selo internacional Green Destinations, tornando-se a primeira e única da Serra Catarinense a receber essa certificação.
Em Lages, hotéis registraram ocupação máxima nos finais de semana da Festa do Pinhão. No Hotel Cattoni, um dos principais da cidade, a recepcionista Liliane destacou que praticamente toda a rede hoteleira operou próxima da capacidade máxima.
“Não só aqui no Cattoni, como em todos os hotéis da cidade, estamos com quase 90% de lotação. As pessoas estão procurando pelos hotéis da região”, afirmou.
Para o guia turístico Benito Sbruzzi, de Bom Jardim da Serra, o inverno representa justamente o período de maior movimento econômico.
“Embora o inverno normalmente seja uma época em que as pessoas tendem a ficar mais recolhidas, na Serra Catarinense acontece o contrário. Essa é a nossa alta temporada, e as cidades se preparam para receber os visitantes com muito acolhimento”, destacou.
Investimentos fortalecem turismo
O crescimento do turismo de inverno também é resultado de investimentos públicos. Desde 2023, o Governo de Santa Catarina ampliou os recursos destinados à infraestrutura, campanhas promocionais e divulgação nacional e internacional da região, intensificando as ações com o programa Estação Inverno.
Segundo a secretária de Estado do Turismo, Catiane Seif, o frio deixou de ser apenas uma característica climática para se tornar um produto turístico estratégico.
“Conseguimos transformar o frio em um produto turístico estratégico, reduzindo a sazonalidade e valorizando a Serra para além da alta temporada”, afirmou.
A estratégia vem consolidando a Serra Catarinense como um destino competitivo durante todo o ano, ampliando sua presença no mercado nacional e internacional.
Muito além das baixas temperaturas
Quem visita a Serra encontra muito mais do que frio. A região reúne vinícolas de altitude reconhecidas nacionalmente, gastronomia típica, turismo rural, passeios históricos, trilhas, cicloturismo e experiências ligadas à natureza.
O guia turístico Eduardo, da empresa Na Trilha Certa, em São Joaquim, destaca que a diversidade é um dos principais diferenciais da região.
“A Serra tem muito a oferecer. Só em roteiros de enoturismo são praticamente doze dias de passeios. Além disso, temos turismo histórico, cultural, trilhas, passeios de bicicleta e inúmeras experiências para quem visita a nossa região”, ressaltou.
Movimento também cresce nos aeroportos
O aumento do fluxo de visitantes também pode ser percebido no Aeroporto Regional Serra Catarinense, em Correia Pinto. Somente em maio de 2026 foram registrados 543 desembarques e 449 embarques, demonstrando o fortalecimento da conectividade da região.
Para o agente de passageiros Jackson Cavalheiro, o aeroporto desempenha papel fundamental no desenvolvimento regional.
“Aqui transportamos trabalhadores dos pomares de maçã, profissionais das indústrias e turistas que vêm conhecer o frio da Serra Catarinense. Também aproximamos investidores e oportunidades de negócios. Somos pequenos em estrutura, mas temos uma grande importância para o desenvolvimento da nossa região”, afirmou.
Com investimentos públicos e privados, crescimento da rede hoteleira, valorização da gastronomia, do enoturismo e das experiências ao ar livre, a Serra Catarinense consolida sua posição como um dos principais destinos turísticos de inverno do Brasil, transformando o frio em desenvolvimento econômico, geração de emprego e valorização regional.




