
A atuação do fenômeno climático El Niño em 2026 pode dificultar a formação do sincelo em Santa Catarina, um dos eventos mais raros e encantadores do inverno na Serra Catarinense. Conhecido por transformar a paisagem com uma fina camada branca de gelo, o fenômeno costuma ocorrer apenas por poucos dias ao longo do ano.
O sincelo se forma em condições específicas, geralmente com nevoeiro e temperaturas entre -2°C e -8°C. Nesse cenário, as gotículas de água presentes no ar congelam ao entrar em contato com superfícies como árvores, cercas e vegetação, criando um visual característico e bastante procurado por turistas.
No entanto, o El Niño — provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico — altera a circulação atmosférica, trazendo mais instabilidade, aumento das temperaturas e maior frequência de chuvas. Segundo o meteorologista Piter Scheuer, essas condições dificultam a formação do sincelo, já que impedem a ocorrência de períodos prolongados de frio intenso e tempo seco.
O fenômeno é mais comum em cidades da Serra Catarinense, como Urubici, Urupema e São Joaquim, principalmente entre os meses de junho e agosto. Apesar da possível redução do sincelo neste ano, a previsão ainda indica a presença de frio e ocorrência de geadas, embora de forma menos contínua.
Além do sincelo, o inverno na região também é marcado por outros fenômenos típicos, como a geada e, em situações mais raras, a neve. Enquanto a neve se forma a partir do congelamento do vapor de água ainda na atmosfera, a geada ocorre quando a umidade do ar congela diretamente sobre superfícies em noites frias e com céu limpo.
Mesmo com a influência do El Niño, a Serra Catarinense segue sendo um dos principais destinos de inverno do Brasil, mantendo o charme das baixas temperaturas e das paisagens típicas da estação.





