O juiz Geraldo Corrêa Bastos, da 1ª Vara Criminal da comarca de Lages, ouve nesta semana as testemunhas do processo em que são réus três policiais militares e um cidadão comum, indiciados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Nesta segunda (28), iniciou a oitiva das 28 testemunhas de acusação. No dia 30 de janeiro, outras 30 de defesa responderão aos questionamentos feitos pelo magistrado, Ministério Público e defensores. O interrogatório dos réus, último ato da instrução, está marcado para o dia 4 de fevereiro.

Na denúncia feita pelo Ministério Público, eles são acusados de matar um homem, em meados de 2019, e abandonar o corpo às margens do Rio Caveiras, próximo a Capão Alto. O homicídio tem as qualificadoras do motivo torpe, meio cruel e surpresa. Os policias ainda respondem por inserção de dados falsos em documentos.

Em 20 de setembro de 2019, o juiz decretou a prisão preventiva dos três homens e uma mulher. Os policias ficaram detidos no 6º Batalhão de Polícia Militar e o civil no presídio masculino. No mês de dezembro, um dos policias impetrou habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça, que lhe concedeu liberdade provisória. Os demais pediram a extensão do benefício, mas o magistrado negou o pedido porque o STJ se baseou em motivos de caráter exclusivamente pessoal para revogar a cautelar.

Sobre o caso denunciado

 

O cadáver foi encontrado às margens do Rio Caveiras, entre os municípios de Lages e Capão Alto, na Serra Catarinense, no dia 1º de julho, com diversas lesões na região da cabeça. A investigação chegou a um suspeito, que havia gravado um vídeo da vítima assumindo a prática de furtos em sua residência. Também foi apurado que no dia 28 de junho uma viatura esteve na casa, oportunidade em que gritos foram ouvidos.

Em interrogatório, o suspeito confessou ter matado a vítima com a participação dos policiais militares. Um deles teria dado um golpe na vítima o deixando quase desacordado. Depois de arrastá-lo, iniciaram as agressões. Já sem vida, o homem foi colocado no porta-malas do carro do réu e levado até a Ponte Velha, local onde foi jogado no rio.

 NCI/TJSC – comarca de Lages