Jornalista é abordada pela Polícia Legislativa durante transmissão ao vivo no Congresso Nacional

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Repórter Déborah Sena, da AuriVerde Brasil, afirma que estava credenciada para trabalhar no local e questiona interrupção de entrevista com deputado federal. Caso será apurado pela Câmara dos Deputados.

A jornalista Déborah Sena, do canal AuriVerde Brasil, foi abordada por um agente da Polícia Legislativa enquanto realizava uma transmissão ao vivo na área externa da Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta sexta-feira (30). O episódio ocorreu durante uma entrevista com o deputado federal Sanderson (PL) e provocou questionamentos sobre as regras de atuação da imprensa nas dependências do Congresso Nacional.

Segundo o relato da profissional, a abordagem aconteceu após duas servidoras da Câmara acionarem a Polícia Legislativa. A jornalista afirmou que estava devidamente credenciada e que já havia passado pelos procedimentos de identificação exigidos para trabalhar no local.

Durante a transmissão, um policial identificado como Nilmar questionou a autorização da repórter para realizar a gravação. O agente também verificou os equipamentos e os crachás de identificação da profissional.

Déborah contestou a abordagem, argumentando que a exigência de autorização adicional para realizar a reportagem representaria uma restrição ao exercício da atividade jornalística.

A repórter relatou que estava no Congresso desde as 8h da manhã e que havia preparado toda a estrutura necessária para realizar a entrevista.

Jornalista questiona abordagem e defende liberdade de imprensa

Durante a transmissão, Déborah afirmou que a atuação dos servidores e policiais deveria respeitar as garantias constitucionais relacionadas à liberdade de imprensa.

A profissional também questionou a necessidade de interromper uma entrevista que já estava em andamento, especialmente após ter cumprido os procedimentos de identificação.

Segundo a jornalista, uma das servidoras tentou chamá-la enquanto conversava com o deputado Sanderson. Como não conseguiu responder naquele momento, a situação acabou resultando no acionamento da Polícia Legislativa.

Após o encerramento da transmissão, Déborah procurou esclarecimentos com as servidoras envolvidas. Conforme seu relato, a polícia foi acionada novamente quando ela já estava deixando o local.

Câmara abre procedimento para apurar o episódio

Em entrevista ao portal ND Mais, a jornalista informou que prestou depoimento e que a Câmara dos Deputados instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da abordagem.

Déborah afirmou que espera esclarecimentos sobre a conduta dos servidores e dos policiais envolvidos, além de eventual responsabilização caso sejam identificadas irregularidades.

A repórter também demonstrou preocupação com a segurança dos profissionais de imprensa que atuam diariamente no Congresso Nacional e defendeu maior preparação dos agentes para lidar com situações envolvendo jornalistas.

Segundo ela, profissionais que trabalham na cobertura política frequentemente enfrentam abordagens e interrupções durante entrevistas e transmissões.

Caso repercute entre parlamentares e entidades de jornalistas

Após o episódio, Déborah relatou ter recebido manifestações de apoio de parlamentares, representantes de entidades ligadas ao jornalismo e integrantes da assessoria do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Entre as entidades mencionadas pela profissional está o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.

O episódio reacendeu discussões sobre os limites das regras de segurança e credenciamento nas dependências do Congresso Nacional e a necessidade de garantir condições adequadas para o exercício da atividade jornalística.

A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e de informação jornalística. Ao mesmo tempo, órgãos públicos podem estabelecer regras de acesso e segurança em suas instalações, desde que respeitados os direitos fundamentais.

A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e se os procedimentos adotados estavam de acordo com as normas da Câmara dos Deputados.

Entidades nacionais repudiam a abordagem

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram nota conjunta na sexta-feira (30), criticando a interrupção da transmissão. As entidades reconheceram a legitimidade dos procedimentos de segurança, mas consideraram injustificável prejudicar uma atividade jornalística de rotina sem demonstração de urgência.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou a abordagem e manifestou solidariedade à repórter, defendendo que a fiscalização das credenciais poderia ter aguardado o término da participação ao vivo.

Até a publicação das primeiras reportagens, a Câmara dos Deputados e a Polícia Legislativa não haviam apresentado manifestação oficial sobre os questionamentos encaminhados pela imprensa.

Metrópoles

Fontes: ND Mais, Metrópoles, SJPDF, Fenaj e Abraji.